Vila do IAPI: a ideia de um bairro operário


EM 2011 ingressou na EMEF Chico Mendes o Prof. EDUARDO KERSTING. Grande colega, mas, para além,  percebi que ali tinha bem mais do que simplesmente um ser em processo de acomodação: ali havia alguém que pensava e, melhor, executava.

Dia desses, caiu nas minhas mãos um texto produzido pelo mesmo, desses pessoais, bem escritos, informativos, mas sem a capa da histeria acadêmica. Quase  jornalístico. Então, caros amigos e leitores, conheçam um pouco da vila IAPI. Não mudei nada, não acrescentei sequer uma vírgula, simplesmente porque seria invasivo, desnecessário e tolo; apenas li e publico, sob autorização, nas FRONTEIRAS FLUTUANTES, além do BLOG DO BESNOS.

Uma boa leitura e um grande abraço ao Edu!

VILA DO IAPI: a ideia de um bairro operário

Prof. Eduardo Kersting – EMEF Chico Mendes/PMPA

A Vila do IAPI é um patrimônio cultural de Porto Alegre. Além de ser um exemplo bem sucedido de bairro popular e um conjunto urbanístico importante, é referência para muita gente. Seja pelo Alim Pedro para quem joga bola, pela Praça Ballvê para quem anda de skate, seja como o berço do rock gaúcho, o bairro da Elis Regina, o chão da União da Vila, pelo Postão do SUS ou para quem estudou no Becker.

Construída entre 1946 e 1953, a Vila do IAPI foi uma forma de garantir moradia para os trabalhadores da indústria e, ao mesmo tempo, de controle do governo sobre esses operários. Garantindo alguma qualidade de vida, o proletariado estaria menos sujeito às greves e à participação na causa socialista de tomar o poder. Além disso, seus moradores trabalhariam nas fábricas instaladas próximas, na zona norte da cidade.

IAPI era a sigla para “Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários”, um órgão público federal criado em 1936 para financiar habitações populares nas cidades. Os operários se associavam nesse instituto e pagavam uma mensalidade: caso fossem sorteados recebiam o direito de alugar um apartamento nos conjuntos habitacionais feitos pelo IAPI. Com o tempo, a qualidade das moradias fez com que elas fossem vendidas e a maior parte dos moradores passou a ser funcionários públicos e famílias de classe média, perdendo a característica de vila operária.

A industrialização em Porto Alegre cresceu a partir do governo do ditador Getulio Vargas e nos governos seguintes, entre as décadas de 1930 e 1970. Desde a década de 1980, com a mudança das fábricas para outros lugares, Porto Alegre se desindustrializou, o que aumentou a diversidade de moradores no IAPI.

Mas a ideia original marcou a identidade da Vila. Muitos a comparam com os bairros operários da Revolução Industrial inglesa, só que bem mais arborizado. É que o seu projeto foi inspirado na ideia de Cidade-Jardim, em que não bastava criar moradias, mas também dar uma certa qualidade de vida para os operários. E você já pensou no que os trabalhadores precisam para viver? Pense em moradia, transporte, emprego, saúde, educação, lazer, direitos, renda, consumo, etc.

Por isso, o conjunto residencial do IAPI tem uma grande variedade de edificações, de casas a blocos de edifícios, além de construções que atendiam os serviços básicos da comunidade, como escolas, posto de saúde, praças, centro esportivo, igreja, grandes avenidas, transporte público, entre outras.

Você vai notar que o IAPI tem uma parte alta e uma parte baixa. Na parte alta, onde está o Largo Elis Regina e o Colégio Dom João Becker, as moradias são geralmente casas e prédios menores. Na parte baixa, onde estão as grandes avenidas, o Parque Alim Pedro e a Biblioteca Pública Romano Reif, a tendência são construções maiores, de blocos de apartamentos. Mas é a paisagem o que mais marca a área: a combinação de várias praças, ruas sinuosas e prédios com padrões característicos formam um conjunto harmônico, ao mesmo tempo urbano e tranquilo.

Observe as mudanças ocorridas na Vila nas últimas décadas. Por todos os lados, proprietários fazem reformas e mudam as formas originais dos prédios. Por causa da sua localização privilegiada na cidade, a expansão das torres de apartamentos e da área do comércio nas proximidades ameaça descaracterizar o IAPI.

Veja as semelhanças entre o IAPI e o Bairro Mario Quintana: há 50 anos, o IAPI era considerado periferia da cidade e era um bairro popular. Observe também as diferenças entre um bairro operário planejado na época da industrialização brasileira e um bairro de trabalhadores surgido mais recentemente, a partir de ocupações irregulares e não planejadas, sem o apoio do poder público.

E lembre-se das aulas de História sobre a Revolução Industrial!

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TE LIGA!

– para ver e saber sobre o IAPI –

Parque Alim Pedro: criado na década de 1940, tem uma grande área verde e um campo de futebol onde se realizam várias atividades e campeonatos de futebol e bocha. Nele está localizada a sede da AMOVI, a Associação dos Moradores da Vila do IAPI.

Largo Elis Regina: a cantora se criou no IAPI e foi homenageada com uma placa próximo ao prédio onde morou. É um exemplo de área arborizada.

Colégio Dom João Becker: escola estadual de Ensino Médio com cursos profissionalizantes; dela se tem uma vista privilegiada da zona norte de Porto Alegre.

Biblioteca Pública Romano Reif: possui um acervo que mostra a história do IAPI.

Carnaval: fundada na quadra da AMOVI em 1980, a escola de samba União da Vila do IAPI vez em quando ainda se apresenta no Alim Pedro.

Rock: o IAPI é considerado o berço do rock gaúcho por causa das garagens dos seus prédios, onde ocorriam os ensaios das primeiras bandas e músicos a gravarem discos de rock no Sul, como Liverpool, Bixo da Seda e Fughetti Luz.

Skate: a Praça Frederico Ballvê ou Skate Park do IAPI é referência para skatistas do mundo inteiro, uma das maiores e mais bem equipadas pistas do Brasil.

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