E a aprendizagem?


Quis custodiet ipsos custodes? (Juvenal) 

Bonés, tocas, celulares, risadas, graças em aula, ridicularia, falta de interesse, pancadões, desestímulo e hormonios aflorados. Deboche, conversas paralelas, desconcentração.

Dizem que “a escola é fraca” mas, se é, porque as avaliações são tão bisonhas? Se a escola é tão deficitária, tão ruim, porque a maioria dos alunos não consegue melhorar seus índices? Se a escola é tão fraca, porque o IDEB da Chico Mendes cresce? Por outro lado, com um quadro em que mais de sessenta por cento dos meus colegas tem cursos de especialização, pós-graduação e assim por diante, como o ensino vai tão mal?

Esse é o nó que não quer se desfazer. A questão central da escola é ensinar, aprender, levar isso de um modo mais profissional. Há alguns fatores que são relevantes e que já foram motivo de infindáveis discussões mas também de respostas inconclusivas.

Vamos, então, procurar tornar  mais claros alguns de nossos pontos-de-vista, a quem interessar possa.

1 – Não se consegue dar aula na falta de respeito e no deboche, sem um ambiente colaborativo e educador. Compete não somente aos professores, mas por igual aos serviços (orientação e supervisão) e à direção da escola dar consistencia e consequencia aos atos de indisciplina praticados na escola. Toda aula havida na transgressão e na violência é desgastante, não profícua e fadada ao estresse e à desinteligência.

2 – Acordos devem ser cumpridos e respeitados. Se não há condição de tanto, que não sejam feitos.

3 – Não há protagonismo juvenil fundado na ignorância, na auto-comiseração e na estupidez.

4 – Aprender não é algo que brota em árvores ou produto de iluminação divina. Para aprender é necessário rotina, esforço pessoal, disciplina e pertinencia.

5 – Não dar limites é incentivar a licenciosidade, a falta de respeito, a inconsequencia e potencializar a ignorância.

6 – Uma escola que não aprende é uma escola que não ensina.

7 – Escola não é território livre, não é simulação de democracia, não é capitania hereditária, mas olugar onde mais a educação deve ser exercida.

8 – Se o aluno não aprende a pensar, se os professores não aprendem a planejar e se a escola não aprende a criar um ambiente que favoreça a educação, estamos diante de um simulacro.

9 – O que a escola não ensina, a vida ensinará, da melhor ou da pior forma possível, mas ensinará.

10 – Os professores passam diuturnamente por várias situações de risco, inclusive e especialmente mental e sentem que não tem a quem recorrer.  O sistema os massacra, as direções fazem ouvidos moucos e os serviços não tem pernas para acompanhar as demandas necessárias, mesmo porque estão deslocados em suas funções de origem, do ponto de vista pedagógico.

11 – Há uma argumentação que trata o aluno como coitadinho e desassistido, como um ser incapaz de responsabilizar-se por seus próprios atos e omissões. A desinteligência pedagógica e suas ineficazes compensações contribuem para  compor um quadro no qual o processo ensino-aprendizagem é o maior prejudicado.

12 – A escola burra insiste em se distanciar da realidade social. Cria um aquário no qual submerge, convicta de que está ensinando algo que seja relevante.

13 – Se não há coerência curricular e a didática não é permanentemente revista, diminuem as possibilidades reais de ensinar e de aprender.

14 – Pais são pais, mães são mães, filhos são filhos e assim por diante. Transferir responsabilidades para a escola, no sentido de que ela ocupe papéis que não lhe cabe é perverso.

15 – Se o sistema escolar for burro, a escola tenderá a seguí-lo. Accessorium sui principalis naturam sequitur. O acessório sempre acompanha a natureza de seu principal.

 

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