Mimeógrafo high tech


Na primeira ou na segunda reunião dos professores do terceiro ciclo deste escola, em março de 2010, eu repetia o que já havia falado em 2009: “vai chegar a copa do mundo e a escola vai estar sem projeto, sem planejamento para o que vai acontecer. Entenda-se por planejamento objetivar atividades que, sendo multidisciplinares, remetam ao evento mundial. Hoje é 16 de abril e falta menos de setenta dias para a Copa, mas parece que ninguém pensa sobre isso. Estou com a nítida impressão de que a única coisa a ser feita será o petitório para que as turmas sejam dispensadas na agenda dos jogos do Brasil, e só. Lembrei disso agora porque hoje faz 121 anos do nascimento dee Charles Chaplin e 33 anos que ele nos deixou a todos. Não ouvi, na escola, qualquer referência sobre o fato. Não sei aonde o setor cultural ou coisa que o valha anda, mas, sem dúvida, não é neste planeta.

Quando se critica a escola por estar em constante descompasso com um mundo tão rápido como o nosso, não falta razão. Não há qualquer movimento no sentido de proporcionar um mínimo de informações culturais aos alunos, se as mesmas não estiverem engarrafadas no currículo formal. Ano passado, na EJA, somente alunos adultos, perguntei, se lá porque, quem conhecia Chaplin. Silêncio, todos ficaram me olhando sem qualquer resposta à vista. Perguntei se já tinham ouvido falar sobre Chico Buuarque. Silêncio. Sobre Freud. Silêncio, desta vez tumular. Perceba: eu não perguntei o que tais pessoas faziam ou deixavam de fazer, qual a importância delas, etc etc. Não, eu só perguntei se o nome já tinha sido escutado antes, mais nada. Penso que há um vazio, um vácuo enorme onde deveria haver um mínimo de conhecimento, até porque tais pessoas foram ou são relevantes no Brasil e no mundo. Voltei décadas e perguntei se sobre Noel Rosa tinham ouvido algo. Absolutamente nada. Alguns poderão dizer que os estudantes da Chico Mendes não conhecem nada, e que as minhas perguntas são um exercício de esnobismo. Não acho.

Penso é que aluno pobre continua sendo aluno, portanto tem que ter projeto pedagógico pra dar conta. Terremoto no Haiti. Nada, nenhum trabalho com os alunos. Chuvas no Rio. Nada, nenhuma referência na escola, que passa em branco glorioso. Morreu o Glauco, foi assassinado. Ué, quem foi Glauco? Nem isso perguntam. E agora, afinal de contas o Vaticano está ou não protegendo seus padres pedófilos? Tais temas poderiam ser explorados na História, na Geografia, na Matemática, em Artes, … nada, nenhuma linha. Não conseguimos sequer nos encontrar a nós, professores, para planejar nossas aulas do currículo formal, quanto mais para pensarmos em mostrar aos alunos que o mundo é maior do que um protestinho funk.

Para o bem ou para o mal, Malhação ensina bem mais que nós todos.  Pedagogia social, pedagogia de publicidade (diferente de propaganda, como me ensinaste, não é Gab Besnos?), pedagogia do celular, do I Pod, dos press releases, imagética. Pedagogia dos conglomerados, das competências, dos trabalhos em rede, pedagogia, em suma, de resultados.  A escola tem que mudar. E, cá pra nós, não é pouco!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s