E a tal da predição?


Alguns professores que utilizam automóveis para vir trabalhar na escola, os estacionam ao lado da mesma, em uma rua sem saída. Dias desses, pela manhã, um aluno queria tirar uma bola que ficou presa nos galhos de uma árvore. Ora, nada mais fácil! Pegou uma pedra enorme e – zapt! – atirou-a em direção à bola. Infelizmente a pontaria não foi suficientemente precisa e a pedra – adivinhe! – foi parar no capo traseiro de um Polo e dali continuou “viva” até acertar a porta de um Fiat Uno que estava estacionado ao lado do Polo, indo finalmente quebrar-se no chão.

Mais uma estratégia que terminou do modo previsto, com duas professoras a lamentar os prejuízos sofridos graças à desinteligência do querido e amado aluno. A questão é: como alguém, vendo automóveis estacionados do lado da calçada (o muro aqui da escola é vazado) joga uma pedra para deslocar uma bola encravada entre os galhos de uma árvore, sem se dar conta de que poderia atingir os automóveis (o que acabou acontecendo)? Ora, por essas e por outras é que discursos convenientes são tão vazios e tão falhos em conseqüências reais.

Por outro lado, atingidos os automóveis, quem se responsabilizou pelos danos? A primavera, a passagem do vento, as sombras das árvores, o esquecimento…

De modo geral, a sociedade cobra, as pessoas cobram e são cobradas, passam por julgamentos morais, sociais, econômicos e culturais. As sociedades se organizam não apenas para ficar tergiversando em uma mesa de bar. Se a escola não demonstra claramente isso através de mecanismos pedagógicos, está inutilmente acarinhando alguém que, se não entender tais situações, terá dificuldades no convívio social. O “não dá nada”, portanto, é mais que a prática do “laissez faire”, é um exercício de insanidade que deveria ser repelido de plano, mas não é o que acontece. As teorias compensatórias e pedagógicas se baseiam, erradamente, em um claro sentido de culpa que acolhe, muitas vezes de modo indevido, quem age de maneira irresponsável.

Tais teorias se baseiam em premissas falsas e justificativas inócuas, que atuam diretamente sobre o processo de ensino e de aprendizagem. Deste modo, os problemas são maximizados, para que os matriculados tenham condições mais facilitadoras no que tange ao seu ingresso na cidadania. Ser cidadão não é apenas entender que temos direitos, mas compreender que há deveres. A escola tem, por base ética, ensinar a pensar. Parafraseando Freire, não importa, simplesmente, pensar, mas temos de pensar bem, isto é, termos critérios sociais quando pensamos. Nos importarmos com o outro quando pensamos. Nos colocarmos no lugar do outro quando agimos. Se não soubermos fazer, procurar orientação de quem sabe. Ousar mas dentro de certos limites.

Às vezes me considero um pouco extraterrestre, quando vivo batendo nesse ponto.

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