Estatísticas e matemática


 

Eventos como probabilidade, possibilidade e reiteração de padrões constituem o cerne das relações estatísticas, cujas aplicações são as mais vastas possíveis; na realidade em todas aquelas nas quais há razoabilidade em estabelecer-se uma relação, direta ou indireta com determinados padrões de comportamento, sejam eles físicos ou abstratos. A exatidão matemática, observada como um topos, abre uma bela oportunidade de discussão quando analisamos a questão dos padrões utilizados em estatística. Se, do ponto de vista meramente do cálculo obtemos uma carta de comportamentos em relação a determinados padrões, nem sempre tal incidência de precisão ocorre nos estudos estatísticos, o que nos leva, justamente a uma noção aproximativa da realidade.

Temos, agora, bem junto a nós, no processo eleitoral brasileiro um desses exemplos clássicos, quando institutos de pesquisas estão a demonstrar tendências de eleitorado com vistas às eleições de segundo turno à presidência da república. Nos parece razoavelmente claro que o universo abrangido por tais pesquisas não é representativo da extensa gama de tendências políticas da nação, assim como é possível deduzir-se que a pequena base de pesquisa, em relação ao total de votantes é minimamente expressiva, para sermos condescendentes. No entanto, o resultado das mesmas é apresentado de modo espetaculoso pela mídia, o que, sem dúvida, produz, por vias indiretas um processo de indução a uma parcela de eleitores consideravelmente maior do que o universo de votantes que foram pesquisados e apresentaram suas intenções de voto. Aqui, não é possível desprezar-se o contexto da força midiática no que se refere aos seus processos extremamente bem elaborados de convencimento, que beiram a subliminaridade.

Esse é um exemplo atualíssimo do caráter proximal da matemática aplicada à estatística e que, no exemplo dado, aplica-se denro de um contexto social que visa, do ponto de vista formal, apresentar uma determinada tendência política. Pelo menos essa é a proposição firmada pelos meios de comunicação.

Ao estudar o comportamento das partículas subatômicas, o Nobel de Física  Werner Heisenberg (1901 – 1976) concluiu ser impossível determinar o ponto exato em que as mesmas se encontram; no máximo poderia ser calculada uma nuvem de probabilidades onde possivelmente se encontrariam tais partículas, o que enfatizou o caráter aproximativo da matemática que estuda a tendência de padrões. Tais afirmativas em muito contribuíram para que a própria noção da física passasse a discutir e a se rebelar fortemente contra o modelo mecanicista da física newtoniana e da visão pragmática e disjuntiva de René Descartes. Para a física quântica o observador, o objeto estudado e os fenômenos observados dependem, entre si, de uma série de circunstâncias que afirmam não haver a neutralidade mesmo na experimentação científica; contrariamente, há uma interferência e uma interveniência entre todos os elementos que participam de uma demonstração.

Assim como uma restrição no universo analisado leva a uma precariedade de resultados, se pensarmos em números exatos, a influência do observador e do fenômeno observado igualmente induz não ao erro, mas à aproximatividade do cálculo matemático. A não observância das circunstancialidades que vizinham ao padrão posto em estudo influi nos resultados alcançados. Franz Kapra, em seu livro A Teia da Vida analisa de modo bastante perspicaz tal situação. Há portanto, do ponto de vista meramente formal, uma distorção admitida que é definida justamente pela tendência a e não pela certeza de.

Por outro lado, além das situações citadas, que revelam o caráter aproximativo dos estudos estatísticos, há outras que corroboram tal fato. Em um mundo mediado pelo consumismo alienante, no qual a presença imagética e simbólica se expressa de modo cada vez mais contundente, mais se traduz imperiosa a presença da matemática aplicada no que se refere à estatística, como um poderoso instrumento de análise de tendências, não apenas no que se refira ao mercado, mas a outros campos da vida social, política, ecológica e financeira. Algumas aplicações: estudos no campo da biologia, das migrações, das matrizes voltadas para a agricultura, para as previsões sazonais, para o lançamento ou a manutenção de produtos, para a pesquisa de tendências de mercado, para a implementação de novas tecnologias, para a infortunística, para as ciencias aplicadas, para avanços nos campos de pesquisa científica, além de centenas de outras aplicabilidades das quais as pessoas comuns, que estão na ponta do processo sequer tem noção da existência. Por outro lado, o estudo estatístico pode eventualmente se converter em instrumento decisório no que tange às políticas públicas.

Sendo passível de análise, tais referenciais, a matemática que se empenha em determinar a incidência de determinados fenômenos e padrões em um dado cenário, passa a configurar um razoável peso decisório. De todo modo, a estatística é extremamente relevante não apenas do ponto de vista de própria linguagem instrumental, mas em razão de sua aplicabilidade dentro de diversos campos culturais e pela multivariedade de opções de leitura da realidade.

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