Ei, aluno, para sua orientação


Venho observando há tempos que uma boa parte dos alunos (*) tem dificuldades de organização. Por isso resolvi escrever o seguinte guia para que os mesmos, pelo menos metaforicamente, encontrem as respectivas bússolas.

1 – Dos cadernos 

O ideal: um caderno para cada disciplina. Em matemática, dois, sendo um blocão para registrar e fazer cálculos. Mas os alunos adolescentes a-do-ram um caderno acadêmico “fashion”, custando no mínimo 18 reais e, preferentemente, com quatrocentas folhas. Trata-se de uma “pochette” cara e inconveniente. Se você perdem, se foram todas as suas anotações; se você emprestar e não devolverem, idem. Além do que, o peso a ser carregado com cadernos individuais é bem menor e o aluno também se organiza melhor, a partir do momento em que tem de fazer a revisão deles, além de também ajudar quanto a se organizar melhor inclusive em relação ao horário de suas aulas. Seria melhor, então, preferir pequenos cadernos individuais: pelo menos se você perdê-lo peerderá as anotações de apenas um, no máximo duas disciplinas. Há alunos, porém, que já foram tocados pelo consumismo, a partir do momento em que “caderno” foi espertamente ligado a “status”. É muito interessante termos o caderno que tem os símbolos do poder, da beleza ou mesmo do erotismo. Aí, realmente é difícil qualquer tipo de argumento mais racional…

2 – Dos cadernos

Tenho por hábito aconselhar meus alunos que, em seus cadernos, tracem uma linha vertical ao meio da folha, do topo ao fim da mesma. Sugiro que usem apenas um desses lados para anotações ou para a escrita, reservando o outro para cálculos ou anotações adicionais ou sinais gráficos, o que pouparia que se riscassem tanto as carteiras, além de ser um espaço de reserva para os registros necessários.

3 – Dos cadernos

Registro. O aluno sempre deve ter registrado o que for visto em aula. O mesmo deve ser acessível, de fácil busca. Há muitos professores que permitem que o aluno leve e consulte seus cadernos ou outras anotações durante trabalhos ou verificações. Se o caderno estiver desorganizado ou incompleto ou não contiver as anotações/registros de modo acessível, o aluno não poderá consultá-lo, o que implica na perda de tal possibilidade de uma “ajuda” na hora de efetivar sua tarefa.

4 – Dos cadernos

O aluno muitas vezes fica “economizando” as folhas do seu caderno ou não o utilizando corretamente. O que, muitas vezes, quer economizar em folhas, é exatamente o que inutiliza com bolinhas de papel, recadinhos escatológicos e mais uma série de bobagenzinhas para as quais sempre haverá folhas. Caderno é instrumento de estudo, de consulta; anotações de aula devem ser feitas de modo a que o aluno possa compreendê-las de modo integral. Um caderno bem organizado, com uma ocupação racional de seus espaços, com uma caligrafia inteligível, é extremamente importante inclusive para que o aluno tenha clareza de suas dúvidas. O aluno deveria escrever em seu caderno de modo a que qualquer pessoa pudesse entender suas anotações, especialmente ele, o aluno que escreveu.

 5 -Da escrita

Caligrafia. Você já ouviu falar nisso? Pois bem, “A caligrafia é tradicionalmente a arte de escrever manualmente com as dualidades da elegância,uniformidade, beleza e constitui a memória grafada em pedra, papiro ou papel que se perpetua através dos tempos”.(http://www.artecaligrafia.com.br/site/). Claro que os alunos não precisam fazer cursos de caligrafia, mas alguns escrevem de modo bastante confuso. São reflexos dos processos de alfabetização que tiveram? É bem possível, mas o que importa, ao fim e ao cabo, é que se consiga entender o que está escrito. Na matemática, por exemplo, notamos que os numerais são parecidos graficamente com letras. Então, um “s” perdido no meio de um cálculo, pode ser, facilmente, um “5″. Um “a” pode ser um “4″. Para alguns, sei que esse item poderá ser entendido inclusive como pernóstico, mas não importa. Quando temos responsabilidade de revisarmos cálculos, corrigirmos provas, e o volume de tais intervenções é alto, percebemos claramente como dificulta a vida de qualquer professor uma caligrafia péssima. Em matemática, por exemplo, juntar números e letras e símbolos sem uma organização espacial pode ser péssimo. Basta citarmos, por exemplo, cálculos algébricos.

6 – Organização espacial

Não é bom que o aluno transforme seu caderno em uma floresta inacessível ao comum dos mortais, menos ainda para ele mesmo. Há alguns que começam um cálculo, por exemplo, e não terminam, ou escrevem de modo a “acavalarem-se” letras , números, etc. Novamente a questão da organização espacial é muito importante para que o caderno sirva efetivamente como algo que está ali para elucidar, e não para o contrário. Absolutamente não vale a pena poupar linhas e folhas. As anotações devem obedecer a uma organização espacial bem definida. São às centenas o exemplo de alunos que, perguntados o que está escrito no caderno, ou onde um cálculo inicia e termina, olharem e responderem: “é, fui eu que escrevi, mas não sei o que é!”

7 – A organização com o material escolar.

Isso é um drama. Professor, esqueci o lápis, não trouxe a caneta, me empresta um apontador, roubaram o meu caderno (ou emprestei e não devolveram), et caterva. Ora, se isso é até esperável de uma criança nas primeiras séries do ensino fundamental, é absolutamente irritante quando se trata de adolescentes e adultos, revelando descompromisso, desorganização e que o aluno é relapso. Cansa muito quando um adolescente te diz que não trouxe seu material e quer que você, professor, dê jeito nisso!

8 – Saídas de sala de aula

Há alunos que, logo após o recreio, decidem te pedir para ir ao banheiro, ir tratar de algum assunto inadiável, atender a um chamado transcendental ou a um pedido urgentíssimo. Não faça isso, tente resolver tais questões sem envolver o período de estudo em sala de aula. Outra coisa: bexigas não são ligadas em rede, como se fossem lâmpadas que acendem e apagam todas ao mesmo tempo. Um último recadinho: toque de sinal que anuncia o início ou o término de um período de aula não é agente liberador para que todos saiam em bando para o banheiro e retornem, com o período já andando, de modo a causar constrangimento àqueles alunos que se encontram em aula.

9 – Não arraste nada.

Carteiras (ou classes) e cadeiras não tem rodinhas, por isso não arraste tudo que encontrar pela frente até sentar-se. Perturba uma aula inteira. Erguer uma carteira ou uma classe não vai tornar ninguém mais forte ou mais fraco, mas, sem dúvida, vai mostrar educação e respeito com os outros.

10 – Entrega de trabalhos e de provas.

 Por favor, querido aluno: não entregue trabalhos com várias cores de escrita, a não ser que faça parte da atividade requerida. Não desenhe nada nos trabalhos. Use tinta azul ou preta. Escreva sempre seu nome, sua turma e a data. Se utilizar mais de uma folha, repita seu nome, sua turma e a data. Não entregue nunca folhas amassadas, cortadas pelo meio (como se fossem bilhetinhos), pois isso tudo irá mostrar quanto você é relapso ou a pouca importância que você dá àquela atividade (não sei qual das alternativas é a pior!). Organize espacialmente seu trabalho para que seja inteligível na folha que você irá entregar. Escreva de modo a que qualquer pessoa entenda (inclusive seu professor!) e não risque seu trabalho ou sua prova.

11 – Pergunte sempre!

 Por diversos motivos os alunos tem  dificuldades em perguntar ao professor as suas dúvidas: ou por se sentirem constrangidos, ou por não existir “clima” em aula para tanto, ou por não quererem demonstrar aos colegas que não estão entendendo algo, ou por pensarem que sozinhos resolverão suas dúvidas ou, simplesmente, por não se interessarem. Seja qual for o motivo, se você não perguntar, estará cometendo um erro, que pode avolumar-se e simplesmente impedir que você tenha uma aprendizagem melhor. O erro maior é sempre não perguntar. Se você, seja por qual motivo for, sentir-se constrangido, fale com seu professor fora da aula. Às vezes uma explicação rápida pode ser mais conclusiva que muitas aulas.

12 – Saia da zona de conforto.

Não há condições de aprendizagem se o aluno não abandonar sua zona de conforto, representada por aquilo que ele já sabe, que já domina. Uma escola é um local de desacomodação, e você faz parte dela. Um tema que você domine pode ser uma ótima base para lançar-se a novos conhecimentos. Mas para isso, você tem que se arriscar, você tem que buscar tal aprendizado, e, especialmente, não pode ter medo do desconhecido, do erro. Afinal, a função do professor é ensinar. Se é verdade que não é possível ensinar em meio ao desinteresse, também é verdade que a acomodação (zona de conforto cognitiva) não impulsiona ninguém para a busca de novos conhecimentos. Tente! Insista! Argumente e pergunte. Você só terá a ganhar com isso.

(*) aluno e estudante, na minha concepção, tem conceituações distintas.

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