Formação e autoestima participativa


O não-saber não é pecado algum; o que mais ocorre no mundo é a não-ciência, a ignorância. No entanto, o saber-se ignorante e satisfazer-se com isso é paralisante, mantendo a pessoa em sua zona de conforto. Quem não sai em busca do conhecimento (desimportando as razões, as variáveis, os motivos, os desejos para tanto) está fadado ao pensamento mágico e à subserviência.

Tal busca, contudo, significa aceitar o desafio do inesperado, muitas vezes do dificultoso, do trabalhoso e uma convivência nem sempre prazerosa, porém também mantém em alta sua auto-confiança e auto-imagem. Só quem confia em si próprioefetiva ações para sair do seu conforto estável, importa-se consigo e em assumir uma posição não-passiva em relação ao mundo e à sociedade.

Quanto a ser subserviente, todos nós somos um pouco, especialmente no mundo do trabalho. No entanto, a mesma dependerá em muito da nossa perspectiva dos processos social, econômico e cultural, e é exatamente aí que a formação (e a escola) tem uma grande relevância. De modo geral, a educação predispõe ao movimento em termos sociais, alçando o homem a melhores patamares de vida e de entendimento de si mesmo; na medida em que nos sentimos mais qualificados, temos melhores condições de inclusão, seja no processo produtivo (aumentando nossa possibilidade de empregabilidade), seja no processo de acesso à cidadania (possibilidade concreta de sermos sujeitos ativos de direitos e de deveres).

Quando alguém sinceramente estuda e tem o desejo de suplantar suas dificuldades na escola, por exemplo, está efetivamente fazendo diferença, não apenas por estar concorrendo para uma sociedade mais informada, mais justa e menos excludente, mas também por estar contribuindo para sua melhor qualidade de vida, através do entendimento dessa mesma qualidade. Muitos fazem uma ligação reducionista ao associar diretamente escolaridade e inserção no sistema produtivo; penso que o estudo e o conhecimento criam condições e facilitadores para essa inserção e, portanto, visibilidade social.

Por outro lado, conhecer mais e conhecer profundamente permite uma melhor compreensão de um mundo manipulado ad nauseam pela publicidade, pela propaganda, pelos standards comportamentais, pela informação comprada e pelos interesses meramente comerciais. Uma educação que valorize a humanidade, enquanto valor, é importante inclusive para questões identitárias e uma visão mais qualificada dos fenômenos político, cultural e econômico.

A educação te dá opções onde, antes, elas não existiam.

Embora as vantagens do processo de aprendizagem tragam enormes mudanças, em todos os níveis do ser humano, não se pode descolar tal processo das variáveis impostas pela realidade e tampouco das políticas públicas que as constituem e as informam, especialmente em relação às políticas educacionais.

Talvez aí resida o grande mérito na resistência, no persistir de quem quer saber mais, de quem não se conforma com a doce mas cristalizadora zona de conforto: afirmar sua crença em si mesmo, fomentar a solidariedade social na medida em que comparta com os outros tal conhecimento, criando um cenário favorável ao seu próprio desenvolvimento enquanto pessoa formada e formadora. Tais expectativas, muitas vezes negligenciadas são, sem dúvida, as mais essenciais às quais pode um estudante ou uma pessoa em processo de formação se entregar.

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