Como ensinar muito, mas muito errado!


A professora ENSINA que os índios são pessoas e são selvagens. Eles, não é? Eles… 

Na escola estadual onde cumprí (a expressão é essa, cumprí) meu estágio de orientação educacional, um dia fui surpreendido com um cartaz, que comemorava “O dia do índio”, que faz parte de um ritual de seguir datas que ocorre ainda de modo bastante comum dentro do âmbito das escolas.Não se sabe se existe um trabalho pedagógico realmente coerente da escola, de modo que, ao enfatizar determinados eventos, realmente os trate de modo consistente.

A alternativa é apenas um dia letivo comum, sem maiores reflexões sobre a data comemorativa ou sem um trabalho integrado entre as disciplinas. Se for a segunda hipótese a mais provável, a data comemorada não terá maior significado para o aluno. Mas o enfoque que eu quero abordar é outro.Pois no cartaz, uma produção coletiva da turma de jardim “B”, temos uma série de frases que, evidentemente, refletem o trabalho que é feito em sala de aula. Como são crianças pequenas, mais ainda se evidencia o pensamento do professor.O cartaz diz:

TEXTO COLETIVO SOBRE O ÍNDIO – JARDIM B


O INDIO É UMA PESSOA! (primeira frase)

ELE PESCA PEIXE.

… OS ÍNDIOS SÃO SELVAGENS (antepenúltima frase)

… OS ÍNDIOS SÃO FELIZES!!! (última frase)

Somos assim informados que o índio é uma pessoa, são selvagens e são felizes. Esse primor de trabalho, essa maravilha da multiculturalidade, esse exercício de tolices ficou assim registrado como um trabalho de crianças, quando sabemos que os conceitos ali expostos são o resultado de uma profunda desinteligência.

Primeiro, porque atesta a ignorância em relação a uma cultura diferente da dominante. Por não saber nada daquela, a destrata, a coloca em um lugar inferior, não a valida. Afirma que os índios são selvagens sem conhecimento de causa. Eu gostaria muito de perguntar a professora o que ela entende de antropologia para dizer isso. Provavelmente nada, mas deve saber que tudo que não tenha shopping, celular, TV e Mc Donalds provavelmente é selvagem…

É de um absurdo inominável que essas idéias grotescas ainda sejam veiculadas e pensadas em uma escola.

Por fim, os índios são selvagens e são felizes! Que fantástico exercício de non sense. No fim, creio que a professora entende que é bom ser selvagem, ou que é feliz quem é selvagem, ou que é selvagem quem é índio. Ah, sim, que bom, somos civilizados, então não somos selvagens… Esse lamentável trabalho ficou ali em uma das paredes da escola, exposto. Nem supervisão da escola, nem orientação, nem direção, ninguém notou nada, ou se notou, ficou quieto.

Registro aqui para que pensemos se temos ou não uma parcela de responsabilidade pela formação de nossos filhos ou de nossos alunos. Vade retro!

Um pensamento sobre “Como ensinar muito, mas muito errado!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s