Equações e incertezas


Adolescentes em aula resolvendo prova de matemática. Ensino fundamental, quinze questões, sendo cinco equações de primeiro grau, cinco sistemas de equações de primeiro grau com resolução por adição e cinco cálculos algébricos. Avisei do dia de prova com antecedência e revisei vários exercícios em aula. Disse-lhes que poderiam utilizar seus cadernos e consultar anotações de aula. Resolvi vários exercícios em nível individual e com a turma. Orientei meus alunos que é possível testarmos os resultados das equações e dos sistemas, para sabermos se as respostas estão corretas, se existe equilíbrio entre as sentenças matemáticas, se os valores conferidos às incógnitas condizem com o proposto.

Mesmo assim, não posso saber de antemão os resultados, no sentido de que o processo de aprendizagem foi desencadeado, mas não possuo certezas. O grande mistério do ato educativo está aí, posto como uma bruma. Quando corrigir as provas, terei visto, item a item, cerca de 375 resoluções, caso os vinte e cinco alunos respondam a todas as questões, o que não é muito provável. Após tais correções, o mistério da devolução de temas e conteúdos, expressos por um grande ponto de interrogação, que é a prova (apenas um dos meus instrumentos avaliativos) se transformará em algo dimensionável, em um ponto de exclamação, que irá me dar uma visualização melhor de todo os processos. Até lá, habito um mundo de observações e de descontinuidades.

Essa curiosidade, esse mistério que subjaz nas relações de aprendizagens não é privilégio do processo educacional, mas neste é muito presente, porque esse é um mundo não exato, pleno de curvas, aproximativo e não-linear. Uma das estupidezas que os gestores educacionais cometem é entender que esse processo é exatamente o contrário. Por outro lado, temos de considerar que aqueles prestam muita atenção ao tempo, aos planejamentos, às administrações de processos e das pessoas, às funções burocráticas  e aos índices de aprovação, e menos às questões pedagógicas e aos processos enquanto essência de aprendizagem.

Essa incerteza que permeia o processo de ensinar e de aprender pode ser quase claustrofóbica, mas integra de modo absoluto o fazer educativo, formal ou não-formal. E é a mesma que irá gradualmente se desnudando para mostrar-se como um retrato, talvez não mais que um 3 x 4 que poderá ser um indicativo do que devemos fazer, a partir de quais referências devemos prosseguir.

Enquanto uma aluna me pergunta como se resolve uma determinada equação, o meu pensamento vagueia por aí, pensando em todas essas questões, mas a resposta vem precisa. Há, contudo, respostas nas quais a precisão não pode ser alcançada. Geralmente as perguntas que as desencadeiam são bem mais exigentes do que possamos, rapidamente, decodificar.

publicado por blogdobesnos às 00:39

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