Melhor do que ontem


O que a escola não ensina, a vida vai ensinar. No entanto, enquanto a primeira fará avaliações definidas no tempo e no espaço, a segunda vai lhe cobrar ao longo da sua existência. Talvez você possa ou não pagar o preço. Se pensarmos na escola, isso equivaleria a uma promoção de nível. No segundo caso, talvez você não possa bancar o preço que será cobrado pelas suas ações e omissões, sem qualquer prova de recuperação. No mercy.  E, sem dúvida, podemos tentar algumas aproximações entre a escola e a vida: assim,  você precisa de um tempo para aprender, em ambas.

Além  disso, sempre precisará de outro para aprender. Você se reconhecerá nesse outro e  necessitará ser incluído em um grupo de referência. Pessoas são inamistosas, ou o contrário, indiferentes, cruéis, mesmo obtusas, mas tem comportamentos amoráveis, solidários, compreensivos.  Não importa se na escola ou na vida, você transitará entre  tais  ambientes, de modo mais trqanquilo ou conflituoso e irá construindo a sua história social e cognitiva.

Quanto a escola, contudo, haverá um ponto de ruptura: ou a formatura, se tudo correr dentro do esperado, ou o do abandono em meio ao curso, se a mão da vida se revelar forte. Contudo, mesmo se você, por várias razões e interações, não gostar ou não desejar ir à escola, detestando comparecer às aulas, a vida o fará arrepender-se do tempo e da energia então desperdiçadas. E isso ocorrerá porque a escola é, ao mesmo tempo, uma sede de conhecimento e de sociabilização e em algum momento você vai lamentar a falta de um desses dois planos de desenvolvimento, senão de ambos em sua formação pessoal. A vida informa, a escola forma o que lhe é possível formar.Talvez só aí, ao influxo de uma formação que poderia ter sido mas não é, você sinta a necessidade de retornar aos conhecidos bancos escolares, ao estudo das disciplinas e aos professores. A vida e a sua história pessoal então informarão se tal desejo de retorno depende ou não unicamente da sua vontade. De todo modo, talvez deliberadamente para agradar algum  leitor  extemporâneo, eu  diria que o tempo é um bem inelástico. O que chamamos de recuperar o tempo perdido talvez seja a tentativa, muitas  vezes quase heróica, hoje, de fazermos com mais esforço e com menos conforto o que poderíamos ter  feito ontem. Haverá em tudo uma balança, na qual o trabalho, as frustrações dos desejos, a carga das necessidades desatendidas ou desassistidas e as possibilidades reais formarão um quadro, nem sempre claro, que lhe dirá das possibilidades reais de retorno às aulas. É dentro desse espectro que você se movimentará ou não. O que a escola não ensina, a vida ensinará.

O retorno à atividade formal escolar talvez lhe traga algum estranhamento. De início você verá que os comportamentos mudaram, especialmente na relação entre professores e alunos, e irá observando também que  as próprias  relações entre alunos mudaram; talvez fique mesmo chocado com novos costumes, onde intolerâncias sociais cada vez se agudizam mais, justamente em uma época na qual há tantos recursos tecnológicos para que as pessoas se comuniquem mais e melhor. Sua sensação de sentir-se estrangeiro dependerá da fruição de uma gama de variáveis, muitas das quais não são facilmente identificáveis. Haverá um cansaço normal a ser dispendido até que você se (re) localize dentro de uma estrutura que permanece institucionalizada e vertical. Você sofre os efeitos mas não consegue identificar suas origens; quando começar tal identificação, pode estar certo: você voltou.

A despeito de tudo, lá estarão os professores, a lousa, o indefectível giz ou as canetas modernosas nos quadros imaculadamente brancos, os novos equipamentos de informática, as novas razões para que você estenda a sua rede de relacionamentos pessoais. Portanto, a escola lhe trará uma sensação de estabilidade, tão cara em um mundo que se caracteriza pela volatilidade, velocidade, pela voraz sede consumista, pelo narcisismo e pela competitividades exacerbada. Lá estará a escola, que sempre esteve em nosso imaginário como uma âncora, um porto em meio ao vai-vem constante das ideologias, das permissividades, mesmo das improbabilidades.  E quando você está lá, novamente em sala, fruindo algo da educação formal, parece que a vida lá fora está lhe dizendo que você foi readimitido em um clube especial: o do conhecimento. De repente parece cristalizar-se a certeza de que é melhor estudar do que não; a própria convivência com outros lhe abre novas perspectivas sociais e pessoais.

Talvez então a sua vida possa então considerar o esboço, sempre temporário, de novas possibilidades, embaladas por hipóteses de crescimento pessoal que antes não existiam. O estudo, por si só, e quando efetivado por pessoas amadurecidas, as coloca em marcha. Aprender é deslocar-se, sair do estado apático do engessamento. Agora há uma estrada e um caminho a trilhar e, você sabe, percorrê-la já é uma vitória pessoal. Desenvolver o seu conhecimento e a sua visão de mundo é o que a escola deverá buscar. Claro que a decisão é sempre sua. Se ela for consciente, tenha certeza, você já estará vivendo, hoje, melhor do que ontem.

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