Aprender é compartilhar


Um bom dia para todos nós!

Lev Vigotsky (1896 – 1934) foi um dos mais respeitados cientistas e pesquisadores com influência sobre a educação. Entre suas várias contribuições, algumas idéias principais são as de que a criança tem um nível de conhecimento real, (o que ela consegue realizar sozinha) e um nível de conhecimento potencial (o que ela é capaz de aprender com outra pessoa, com um adulto). Assim, a aprendizagem não pode afastar o desenvolvimento biológico (funções cerebrais, memória, linguagem, etc) e a mediação de um outro. Para aprendermos é essencial que estejamos em contato com esse outro, que sejamos interativos, adquirindo conhecimentos a partir de nossas relações conosco e com o mundo. Embora o aprendizado seja individual, ele não pode prescindir da ajuda, da colaboração de um terceiro.

Nas relações sociais é que aprendemos, e não na solidão, no isolacionismo, no individualismo. As sociedades, contudo, cada vez mais se voltam para uma cultura individualista, pouco solidária e voltada mais para a ação do que para a reflexão, mais passiva e menos crítica. Basta lembrarmos, por exemplo, dos grandes movimentos populares e culturais havidos há décadas passadas. Vivemos anos de consumismo, com uma hiper-informação que parece tornar tudo um espetáculo, no mais das vezes banal. E é aí que temos de retornar a Lev Vigotsky. Aprender com o outro não é responsabilizá-lo pela nossa aprendizagem, mas, sim, compartilhar conhecimentos, oportunizar melhorias, sermos parceiros nos erros e nos acertos.

Nas escolas, não raro, os alunos tomam como referência o educador, como aquele que irá promover ou não os primeiros a níveis posteriores do ensino formal. As perguntas: “professor, eu vou passar de ano?”, “professor, o senhor vai me passar?”, “professor, o senhor acha que eu posso (ou vou) avançar?”, são sintomáticas. O que se esquece, nessas situações, é que a aprendizagem é um processo, e não é estanque, não se dá de um momento para outro, como uma mudança de canal de televisão. Antes, aprender necessita do tempo, como um bom vinho, para que possa maturar. E esse processo é sempre o resultado de uma parceria entre educando e educador. Na medida em que o educando progride com o outro, dentro do processo, terá melhores possibilidades de êxito. Esse outro poderá ser o educador ou um colega, um amigo, que tenha conhecimento e solidariedade para ajudar no processo. Para tanto, devemos todos, educandos e educadores, revertermos a tendência à arrogância, sermos tolerantes, aprendendo a conviver com as diferenças e com visões de mundo que não as nossas. Talvez o maior aprendizado seja esse: o da honesta proximidade.

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