Adequações e pensamento mágico


O estudo formal exige uma adeqüação em termos de disciplina, horários, atenção e constantes revisões conceituais. Se considerarmos que vivemos em um caldo cultural em que se adicionam imagens multicoloridas, sexualidade exacerbada, banalização da violência, recepção passiva de mensagens midiáticas, miríades de produtos a serem possivelmente consumidos e uma tecnologia que (re)liga o homem ao mundo em questão de um nada (celulares, internet, notebooks, pagers, etc), e que cria e destrói ídolos com a mesma facilidade com que trocamos de roupa, constataremos que, para uma boa parte dos estudantes as agências de conhecimento são defasadas e não lhes dão qualquer motivação especial.

Tudo que ocorre, ocorre rapidamente. Não temos sequer tempo para entendermos algo, quando já somos sacudidos por outras novidades, outras perspectivas, de tal modo que o não-entendimento passa  a ser a regra geral e, talvez por isso, banalizemos as informações e não as transformemos coerentes com um mínimo de criticidade. Somos vistos, não raro, como produtos de um meio informatizado, computacional no qual, muitas vezes, perdemos a noção da realidade. Ou, se não perdemos, pelo menos preferimos o mundo virtual, visto que o primeiro é repleto de frustrações, as quais queremos afastar. Nos envolvemos com as novelas, mas não percebemos que nós mesmos somos personagens de romances, ficções, biografias, crônicas não-lineares, imprevisíveis e sem uma resposta final de nosso agrado, e que incluem nossos próprios roteiros, dependências e angustias, gozos e insatisfações.

A midia premia o pensamento mágico, que  para o Dr. Phillips Stevens Jr., antropólogo, é uma “crença na interconexão de todas as coisas através de forças e poderes que transcendem conexões tanto físicas quanto espirituais”. Ainda segundo o mesmo, “…a grande maioria das pessoas do mundo … crê que existam conexões reais entre o símbolo e aquilo que ele representa, e que um poder real e potencialmente mensurável flui entre eles”. (ver fonte)

Muitos alunos crêem que, embora não sendo responsáveis em relação aos seus estudos, “algo acontecerá”, fazendo com que sejam bem avaliados no processo de aprendizagem. Não raras vezes o próprio sistema educacional fará o papel desse “algo” que os promoverá, mesmo que, na realidade não tenham condições reais para tanto. Isso ocorre, infelizmente, dentro do regime de ciclos de estudos, associados errôneamente por muitos como um regime no qual se institucionalizaram as aprovações diretas ao próximo nível de aprendizagem, independente de o aluno ter ou não ter demonstrado a aquisição de habilidades para tanto.

Se a escola estigmatiza o aluno, mostrando-lhe claramente que as suas histórias de vida, que as suas expectativas e experiências e suas linguagens são de menor importância dentro da instituição e se a isso for ajuntada uma desvalia sócio-econômico-cultural, aquele irá se habituando, cada vez mais, a ser passivo, a sentir-se uma pessoa de segunda classe, preparando sua não-cidadania.

Esses fatores servem de mote para que o aluno se afaste da escola e adira, de vez, à sua região de conforto. Se o aluno se sente minorado dentro de um cenário que não lhe é favorável, não há porque adaptar-se às exigências da instituição. Ora em um mundo mediado pelo consumo, onde as frustrações se avultam e a violência se banaliza, o conforto tende à acomodação acrítica, o que, infelizmente redundará na institucionalização de uma cultura marginal e explorada. Em tal situação, o pensamento mágico, o destino, ou qualquer outro elemento servirão como fundamento para uma vida carente de oportunidades melhores, seja dentro do sistema produtivo, seja nas possibilidades concretas de opção e objetivos de vida.

Fonte citada: http://skepdic.com/brazil/pensamentomagico.html

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