As relações trabalho-educação e o labirito do Minotauro, de Gaudêncio Frigotto


 

As relações trabalho-educação e o labirito do Minotauro, de Gaudêncio Frigotto

 

Trabalho sobre o livro acima descrito. 

Hilton Vanderlei Besnos

1 – Como o autor define o sentido ontológico do trabalho? 

O sentido ontológico do trabalho reside no fato de que trabalhar é inerente à condição humana enquanto produz a si própria. Pelo trabalho o ser humano se produz e reproduz a si mesmo, porém de forma consciente, prevendo, organizando e alterando as formas de produção.

2 – Como o autor justifica o trabalho como princípio educativo? 

O trabalho como princípio educativo é ético-político, em razão de que a tarefa de prover a subsistência pelo trabalho é comum a todos os seres humanos. Tal posição buscaria evitar situações nas quais grupos ou indivíduos vivam da exploração do trabalho dos primeiros (Mamíferos de luxo, na expressão de Gramsci).

3 – Por que não é possível, para o autor, falar do fim do trabalho como fator de uso? 

O trabalho como fator de uso é a atividade que produz os elementos necessários para a vida dos seres humanos, aparecendo limitado pela noção de necessidade e não da liberdade. Os homens querem abreviar o tempo de trabalho como necessidade para aumentar progressivamente o da liberdade, ou seja, o da opção aberta pela possibilidade do tempo livre.

Assim, é impossível desaparecer o trabalho enquanto fator de uso, porque ele é quem dá a possibilidade concreta, real, da sustentação do homem em suas necessidades.

O que desaparecem são formas históricas pelas quais o trabalho humano se efetiva nos diferentes modos sociais de produção. Tais flutuações atingem hoje, a crise da atual forma capitalista de trabalho, ou seja, trabalho abstrato – trabalho assalariado.

4 – O que significa o conceito de “modo de produção social da existência” e o que envolve o modo de produção social? 

Significa o modo pelo qual o homem se expressa, se define e se produz nas relações ou modos sociais de produção. Tal conceito é central para perceber a dinâmica da mudança que o trabalho vem assumindo historicamente, bem como as influências do mesmo sob um regime de classes sociais.

O modo de produção social do trabalho envolve três dimensões:

1. a atividade material de produzir bens para a satisfação das necessidades humanas;

2. a produção de idéias, de cultura, de ideologias que justifiquem essa forma de produção material e

3. instituições que se encarreguem da reprodução social em seu conjunto.

5 – Para o autor, o capitalismo, no seu início, tinha dimensão civilizatória e um caráter revolucionário. Como o autor justifica a perda destas características? 

Em razão de que o capitalismo se dá através de um meio de produção classista que mantém a cisão social e incrementa a negatividade da exclusão e da desigualdade. O suporte ideológico variou desde a afirmação da diferença dos homens, passando pela ideologia do dom, da capacidade e do esforço. Atualmente reside nas habilidades, na competência e na produtividade ainda que de forma dissimulada.

6 – Segundo o autor, o trabalhador sofre de uma tríplice alienação. Como ela se manifesta? 

A tríplice alienação manifesta-se:

1. através de um estranhamento e separação em relação ao meio de produção e ao que efetivamente produz,

2. do roubo de parte do tempo de trabalho dispendido na produção e

3. através de não possibilidade de adquirir os meios de subsistência para manter sua dignidade pessoal.

7 – Como o autor explica a crise estrutural do emprego ou a crise do trabalho assalariado? 

A crise estrutural do emprego ou do trabalho assalariado ocorre em razão de que os grupos detentores do capital detém cada vez mais acesso às tecnologias de ponta, que lhes permitem “aumentar exponencialmente a produção e produtividade”. Isso faz com que o número de trabalhadores diminua, pelo avanço tecnológico. Em outros termos, cada vez mais a máquina substitui o trabalho assalariado.

8 – Como o autor analisa as teses que dizem que vivemos numa sociedade de conhecimento, sociedade do lazer e do ócio e entretenimento? 

O autor entende que no horizonte atual encontramos uma contradição crescente: de um lado, a possibilidade real que dispõe o homem no sentido de produzir uma melhor capacidade de vida, uma fruição de bens culturais de modo generalizado e de outro a produção do desemprego estrutural, o trabalho precarizado e uma crescente exclusão da maioria. Em outros termos, o capital terial esgotado sua capacidade civilizatória, restando tão somente a predação.

Em relação a sociedade do conhecimento, à sociedade do lazer e do ócio e entretenimento, entende o autor que “não passam de jargões ideológicos e de perspectivas apologéticas e cínicas”, por passarem a idéia do fim das classes sociais e da exploração. Isso em razão de que tais acessibilidades a melhoria de qualidade de vida igualmente concentram-se nas mãos daqueles que igualmente concentram o capital.

9 – Quais as alteraçoes, no sistema educacional brasileiro, realizadas a partir dos anos 1990? 

Preliminarmente o autor coloca a impossibilidade real da neutralidade da educação, em razão de que por sua praxis reforça ideologias.

Em termos de reformas educacionais no Brasil, igualmente o autor é ceticista: entende que as mesmas tem uma agenda claramente neoliberal, com o sacrifício do bem público, o avultamento dos processos de exclusão social e “retornam ao ideário utilitarista e individualista do mercado livre e auto-regulado.”

10 – Qual a a relação que o autor estabelece entre trabalho-educação e o “Labirinto do Minotauro”? 

Segundo o autor a travessia do labirinto do capital requer a superação do modo de produção capitalista. No campo educacional, recuperar a idéia de uma educação básica unitária, universal, omnilateral, como um direito de todos em sua formação construtiva. Uma escola desinteressada do mercado capitalista e da formação unilateral para o trabalho alienado, mas na perspectiva do trabalho como princípio educativo. Uma escola voltada para todas as dimensões da vida humana.

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