Entendendo o ininteligível


 

Vivemos em um mundo onde a comunicação é fundamental. Um dos requisitos mais caros é o do entendimento e ninguém pode entender algo se há uma linguagem de iniciados, uma linguagem hermética, que mais confunde do que explica. Se um professor está em uma determinada escola, deve compreender com clareza a linguagem da mesma, assim como a sua cultura. Pais igualmente deveriam não ter maior dificuldade quando se trata da escola onde seus filhos vão aprender não só conteúdos e disciplinas mas, em especial, a se socializar.

Ora, mas nem sempre isso é verdadeiro. Em relação à rede municipal de ensino de Porto Alegre há um verdadeiro cipoal a ser atravessado, (de) codificado e (re) interpretado.

Linguagens não claras, palavras, signos que se prestam à confusão não são bons indicadores. A Secretaria Municipal de Educação vem há um bom tempo se especializando em uma comunicação truncada, estranha, exógena. Isso leva ao desespero os não iniciados em determinados rituais de passagem, linguagens e literaturas. Basta vermos, por exemplo, os títulos das conferências das Conversações Internacionais 2007, que começará segunda-feira aqui em Porto Alegre.

Alguns exemplos:

  • Formação como Deformação: Entre Nietzsche e Deleuze 
  • Práticas locais e políticas em educação: uma dificílima aproximação
  • Fio de navalha – impasses da Educação ante o ideário “pós-modernista 
  • Discursos circulantes da ensinança de escrita 
  • As tecnologias de individualização do aluno. Variáveis estruturais do discurso psicopedagógico na modernidade ( séculos XIX E XX)
  • A palavra-canto é uma ponte”
  • Desregulagem Antropológica e Invenção

Comentário: ai, meu Deus!

Por outro lado, os critérios de avalilação que vão para os boletins dos alunos dizem NA, N, EP e PS.

Também encontramos três modos de promoção (os alunos “passam” para o ano seguinte): PS, PPDA e PSAE. Há possibilidades para a mantença do aluno (o aluno não é promovido no ano letivo) mas estas praticamente tem a ver com a freqüência do mesmo e não com o que ele aprendeu ou deixou de aprender naquele ano na escola. São as hipóteses de Inf (aluno infreqüente eventual, mas que acumulou um número razoável de ausências, também chamado como aluno ‘pipoca’) ou Inf P (infreqüência permanente), sendo tais casos encaminhados obrigatoriamente para o Conselho Tutelar.

Temos também três tipos de turmas: as regulares, as TT e as CP. Claro, não?

Por outro lado, o regime ciclado divide-se em I ciclo (primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental, A 10, A 20, A 30), II ciclo (quarto ao sexto ano do ensino fundamental, B 10, B 20, B 30) e III ciclo (sétimo ao nono ano do ensino fundamental, C 10, C 20, C 30).

É possível, também, ouvirmos os seguintes diálogos:

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– Professora, meu filho passou de ano?

– Sim, ele passou mas com PSAE

– Sim, ele passou com PPDA em Matemática e Geografia

– Sim ele passou com PS

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– Vamos fazer uma movimentação interturmas com o Laurício e colocá-lo em uma C30, porque ele estava em uma CP.

– Mas ele é inf.

– Inf ou Inf P?

– Não ele é inf.

– Fecharam a FICAI dele?

– Não, a FICAI dele está aberta.

– Ah, não, então vamos fazer o movimento interturmas depois que a FICAI dele fechar.

– Ah, sim…

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– E a Laura?

– Colocamos em uma TT?

– Não sei, acho que é caso de uma CP.

– Mas qual a idade dela?

– Defasou.

– Ah, então é de fazermos uma interturmas e colocá-la em uma CP.

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É ou não complicado?

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