Adolescência – 11 perguntas e respostas


 

FAPA – Psicologia da Educação IV

Adolescência e liberdade

1 -O que leva o adolescente a buscar a liberdade?

A entrada no mundo adulto, uma nova identidade, um novo corpo que necessita de novas respostas e uma nova significância a si próprio, além de uma pressão social para que tanto ocorra, em determinados níveis de expectativa. A liberdade é uma busca de todo ser humano, mas pode ser vista de várias maneiras, sendo um topos aberto, conforme assim o diz a semântica. Nada mais normal que o adolescente queira ser livre, porém dentro da sua interpretação de liberdade.

Por outro lado, problemas como o confronto de valores, de necessidades e de prioridades, aliado a uma instabilidade peculiar a esse período do crescimento, aliado muitas vezes à incapacidade paterna em lidar com tais fatos, fazem com que o adolescente busque ingressar no mundo adulto, como forma de poder dispor melhor de seus caminhos.

2 – Explicar o conflito adolescente em termos de flutuação entre dependência e independência.

Tal conflito é explicado por dois fatores de tensão: por um lado, quer o adolescente sua independência, pois esse é o signo para seus ingresso no mundo adulto, que ele ambiciona pelo que o mesmo deverá trazer-lhe (liberdade física, mental, sexual, financeira, etc), como reconhecimento social, e por outro, custa-lhe abandonar o que conquistou em sua condição infantil. Dentro desse cenário movimenta-se o adolescente, refugiando-se, não raro, em buscas introspectivas onde busca resgatar seu passado para criar forças para o enfrentamento de seu futuro.

3 – Qual o papel dos pais para ajudar o filho adolescente a superar o conflito dependência e independência?

Os pais devem reelaborar suas próprias dificuldades: a questão do luto psicológico, pela perda do corpo do filho infantil, confrontado com a dificuldade em aceitar a crescente sexualidade e energia do adolescente, podem jogar os pais em uma situação de isolacionismo e de incompreensão ante os fenômenos próprios de tal fase do crescimento. Assim sendo, o papel dos pais, antes de tudo, parece-me é o revisar parâmetros para não correrem o risco de deixarem abandonados seus filhos, sem a referência parental.

4 – Quais as exigências enfrentadas pelo adolescente para entrar no mundo adulto?

As exigências requeridas no mundo adulto são maturidade biológica, afetiva e intelectual, um sistema de valores, uma posição política e social, o atendimento a um aprofundamento de uma teoria ética e estética, uma nova aproximação espiritual, uma definição quanto à sua ocupação profissional, enfim, além do amadurecimento psicológico, um (re)conhecimento do mundo adulto e uma convivência pacífica com o mesmo, no sentido de posicionar-se ante as complexidades que terá de lidar.

5 – Que problemas são enfrentados pelo pai quando enfrenta a perda do corpo do seu filho criança?

Quanto tal ocorre o pai enfrenta a aceitação do porvir, do envelhecimento e da morte, abandona sua imagem idealizada criada pelo filho e à qual se acomodou, deixa de ser o líder e ídolo e precisa enfrentar uma relação crítica e ambivalente, avaliando suas conquistas e fracassos em função dos novos parâmetros experimentados pelo filho; contudo, poderá compreender o filho e recuperar sua própria adolescência ao identificar-se com a energia e força criativa daquele.

6 – Como a autora Aberastury interpreta o desejo e necessidade de reformas sociais do adolescente?

A autora faz uma analogia entre o processo de independência adolescente e a luta de classes, no sentido de que a ânsia do adolescente pela sua liberdade e ingresso no mundo adulto o levará a traçar um paralelo ideológico com a luta de classes: da mesma forma como sente sua rebeldia aflorar, e, por outro lado, igualmente é assediado por pressões de diversas ordens, o mesmo sentirá uma tendência muito grande a aliar-se a propostas que objetivam reformar o que já está posto.

7 – Que fatores, segundo a autora, explicam a intensidade e a gravidade dos conflitos adolescentes?

A qualidade do processo de amadurecimento e crescimento dos primeiros anos, sua carga de afetividade, mediada por sua auto-imagem, o somatório de situações classificadas como frustrantes ou de gratificação, bem como a adaptação progressiva do adolescente às exigências ambientais: outrossim, tais intensidades poderão levar a violências e destruições, que o adolescente usará, mesmo porque o meio social em que convive também utiliza-se de tais expedientes.

8 – Explicar as razões da confusão na posição ideológica adolescente.

A principal razão é o fato de que os movimentos estudantis carecem de bases ideológicas mais firmes, o que é uma outra forma de dizer que o adolescente ainda não teve tempo suficiente para deter-se em ideologias que não as que imediatamente adere, ou seja, há ainda uma falta de referencial claro nessa área. Por outro lado, o adolescente irá submeter-se a um líder que substituirá as figuras paternas, das quais está procurando elidir-se.

9 – Explicar o processo de moratória social, segundo Erikson.

Dizemos que é moratória social no sentido que a sociedade não cobra tanto da infância o ingresso na idade adolescente, ou, pelo menos, nas características típicas que acompanham o desenvolvimento adolescente.

10 – Citar as exigências básicas de liberdade do adolescente. Quais os caminhos da liberdade?

As exigências básicas de liberdade do adolescente são especialmente as relacionadas às saídas e horários, ou seja, a administração de seu próprio tempo, a liberdade de defender uma ideologia, provenha ou não de um partido político formal ou de outras formas de organização social, pelo que busca assumir uma identidade no corpo da cidadania, bem como a de viver um amor e um trabalho, o que lhe oportuniza crescimento afetivo e experencial, enquanto o trabalho é um signo que projeta o adolescente no mundo real, oportunizando-lhe maiores liberdades de opção, na medida em que lhe permite auferir seu próprio salário.

11. Como devem os pais agir frente aos conflitos adolescentes?

Escutando-os, apoiando-os e observando-lhes o comportamento e os desejos, sabendo que está lidando não raras vezes com o inesperado, com uma rebeldia ou com uma dependência razoavelmente inusitada, dentro do quadro de crescimento do filho. No entanto, deverá agir com limites, de modo a que o adolescente saiba que não está sozinho, que não está abandonado, mas que seus pais continuam sendo (apesar de tudo) firmes referenciais para seus crescimentos.

Porto Alegre, 19/08/10 13:08:22

Hilton Vanderlei Besnos

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