Tentando romper o estresse com o tema de casa


 

Reza a tradição, no que diz a respeito dos temas de casa:

(1) o professor alerta toda a turma de que determinados exercícios devem ser realizados e marca, para a aula seguinte,  a correção dos mesmos, com o envolvimento da turma. Após explicar a importância da realização daqueles, ele reforça que fazê-los é uma contribuição importante para o entendimento do assunto que a turma está explorando;

(2) na aula seguinte, marcada para a correção dos temas, se explicita que, de vinte e cinco alunos, dois ou três fizeram o tema.

Diz o ritual estabelecido que, na maior parte das vezes ocorrem dois fatos:

(a) o professor se estressa e resolve não corrigir tema algum ou

(b) o professor se estressa e decide ele mesmo fazer o tema no quadro-verde.

Nos dois casos, a e b, o objetivo principaldo tema não foi alcançado, que é o de que, através dos exercícios, o aluno seja induzido a refletir sobre o assunto que é objeto de estudo em aula. No primeiro caso, a não-realização, pelo professor, da tarefa que ele mesmo solicitou pode levar a um desestímulo ainda maior pelo aluno; afinal, se “o professor que passou o tema não o corrigiu, é sinal de que o mesmo não é importante” e que, portanto, pode continuar a ser relegado como até então o foi.

Na segunda situação, b, os alunos simplesmente irão copiar as respostas que o professor dará ao resolver toda a tarefa no quadro-verde. Então, ao invés de termos uma correção qualificada, com o envolvimento e a participação de toda a turma, teremos simplesmente mais uma enfadonha aula de cópia ou o que eu chamo de ditado escrito.

Nenhuma das duas soluções irá minorar o fato de que os alunos não fizeram o que deveria ter sido feito. A primeira opção (não resolver o tema) tem um certo travo de castigo, de punição ao qual, normalmente, vem uma outra mensagem incluída: “não fizeram? pois bem, o problema é de vocês, porque eu vou exigir na prova”. A última alternativa é um convite ao laissez faire: “que bom, não tem nenhuma conseqüência em não ter feito nada, afinal o professor vai fazer tudo agora, então eu, aluno, posso me entregar ao dolce far niente, bastando copiar”.

Ah, sim, em qualquer das situações, o professor se estressará, se mortificará e, provavelmente, irá discursar longamente a respeito da contumaz irresponsabilidade de seus alunos. Eu fiz isso muitas vezes.  Sempre observei que nenhuma das situações me satisfaziam e das duas, a escolha sempre era a da menos pior, dependendo das circunstâncias. Mas, hoje, resolvi romper com esse ritual.

Disse à turma para sacarem uma folha dos seus cadernos, escreverem seus nomes, datas e turma e me entregassem os exercícios prontos ao final da aula. Não lhes disse que entregar os exercícios era equivalente a um trabalho, nem toquei na palavra “avaliação”, e também não deixei que a situação de simplesmente não fazer a tarefa permanecesse assim. Com baixo estresse, o caminho foi mostrar aos alunos que há uma corresponsabilidade na educação e que há propósitos e conseqüências em todo e qualquer ato pedagógico.

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