Respeito ao professor – texto 0173 – Akira Umeda


“Respeito ao professor” é uma frase que vem se tornando mais e mais uma reivindicação, sintoma de que o professor tem sido desrespeitado. Sou professor, embora não atue no ensino formal e oficial há quase duas décadas, e busco cumprir uma lei básica, oficial e do senso-comum, que informa que o ser humano e seu trabalho devem ser respeitados; que mesmo o não-humano e o não-trabalho devem ser respeitados. Ao contrário do que a mera repetição de slogans e a incessante proliferação de mensagens eletrônicas nas redes sociais da telecomunicação fazem parecer, não se trata de tarefa fácil nem simples. Desrespeitar, seja lá o que for, é mais comum que respeitar. Uma sensibilidade menos otimista diria que, pela sua repetição sistemática e automática, desrespeitar é que é uma lei básica; que nem sequer percebemos o quanto somos desrespeitosos.

Sobre o professor pesa um desrepeito menos inocente, menos casual, a julgar pela intensidade das reivindicações que vejo e ouço por toda parte. De modo geral, são as condições de trabalho do professor, entendidas em sua dimensão mais vasta, que são desrespeitosas. Imagino que este problema esteja sendo abordado por vários pesquisadores e especialistas e que, ao contrário, o resultado das pesquisas e as recomendações especializadas não estejam sendo recebidas, discutidas, encaminhadas e implementadas, seja no ensino oficial, público, ou no ensino privado. Sei que, em boa medida, a própria legislação federal não é cumprida com rigor e, portanto, não se manifesta como realidade no sistema educacional.

Eu não tenho uma solução para este problema, que, aparentemente, requer esforços hercúleos de toda parte e de toda sorte. Apenas reafirmo que cumprir leis básicas é tarefa árdua no contexto brasileiro, o que inclui o respeito ao professor. Ao escrever isto, não pretendo subestimar e diminuir a gravidade do problema que é o desrespeito ao professor. Mas é forçoso reconhecer que os desafios propostos pela educação de todos, pelaeducação das massas, que é uma meta relativamente recente no Brasil (considerando-se a primeira versão da Lei de Diretrizes e Bases de 1961), não têm sido vencidos satisfatoriamente. Nestes últimos 50 anos, mudanças profundas vêm alterando a forma do mundo, alterações que este complexo tecnológico-humano que chamamos de Educação vem desdenhando sistematicamente. Evidentemente, até certo ponto é possível seguir as velhas trilhas em velhas tropas sob o conforto de certa inércia (seja no âmbito das políticas públicas de educação, seja no âmbito da precária imaginação da iniciativa privada quando o assunto é Escola). Só não sei dizer até quando, pois alguma hora, eventualmente, as velhas trilhas darão em abismos que já, hoje, desenham-se claros

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