Teoria da aprendizagem


Teoria da Aprendizagem

FAPA, 2004

Ms. L. Facchini

A educação se dá em todas as instâncias sociais. Para MOSQUERA  a educação é uma tarefa histórica. Ensinar e aprender são dois processos distintos.

A primeira ocorre em instâncias sociais, em grupos bastante distintos, ao longo da vida. Assim, podemos citar a família, a comunidade, os clubes e o convívio social, mais tarde as experiências institucionais. Tais grupos sociais ensinam, basicamente, comportamentos esperáveis dentro de determinadas circunstâncias (numa festa, por exemplo). As diferenças serão sensíveis às culturas onde o indivíduo viverá ou circulará socialmente.

A educação é igualmente uma tarefa histórica, pois inexiste uma linearidade; assim ela varia na conformidade da cultura na qual está inserida. Um exemplo claro é a educação do Estado Novo (década de 30 no Brasil) e a que vemos hoje, século XXI.

A educação varia de geração para geração, e esse dinamismo acompanhará  os parâmetros culturais.  A educação formal é a intervenção intencional e orientada de um processo de desenvolvimento pessoal e social.

A mesma depende de um espaço, de uma cultura, de um contexto histórico, ou seja, de um nicho cultural. Assim, a educação dos índios, dos esquimós ou das crianças que habitam palafitas devem ser necessariamente distintas entre si, porque atendem a  determinadas necessidades daqueles grupos sociais.

Em razão de tais fatos, deve haver um respeito à diversidade cultural ou multiculturalismo.

As famílias mudam ao longoo dos anos, os pais mudam, os filhos idem. A visão dos fatos estará diferente na conformidade com a cultura, com a maturidade, com as necessidades e exigências da comunidade e sociais.

O professor deve ter um extremo cuidado quando estiver lecionando, para respeitar os espaços multiculturais de seus aprendentes, não impondo seus próprios padrões e visão de mundo àqueles. Por outro lado, escutar não é concordar.

A tarefa do professor, no presente momento histórico é o de explicitador, ou seja, de mediador entre culturas que são diferentes. Por isso deve ter uma leitura multicultural dos seus aprendentes.

Educação Ensino
Caráter informal Caráter formal
Dá-se em todos os espaços Na escola “in locus” específico
Educador Professor
Senso comum Conhecimento científico (episteme)
Dá-se pela experiência Teorias pedagógicas

Aprendizagem é o processo pelo qual adquirimos conhecimento.

Apriorismo – racionalismo – inatismo

Platão entendia que aprendemos por maturação, ou seja, pelo amadurecimento de nossas potencialidades físicas e mentais. Para Platão bastava o ambiente natural para proporcionar a aprendizagem, que se daria de modo natural, com o caminhar ou o falar. Dessa forma, o aprendizado dar-se-ía de um modo que lembraria uma evolução natural, ou seja, seria provocado de dentro para fora, do homem para o meio ambiente com o simples desenvolvimento de tais potencialidades.

No entanto não é o que ocorre porque não há uma capacidade inata para aprender ou para ensinar.

Empirismo

Aristóteles, discípulo de Platão, entendia contrariamente àquele.

Para Aristóteles a aprendizagem se dava por experiência, através dos sentidos.  O homem era tabula rasa, havia um vazio a ser preenchido através da experiência, da percepção sensorial…Contudo, não é assim que aprendemos; uma boa parte do que aprendemos não envolve os sentidos. Aliás, quanto mais sofisticada a aprendizagem, quanto mais simbólica, menor a interferência dos sentidos, ou seja, eles não funcionam para todos os aprenderes. Contudo, para Aristóteles não há aprendizagem que não tenha necessariamente passado pelos sentidos, o que é falso.

Em Aristóteles o conhecimento é apreendido de fora para dentro, ou seja, é a influência do meio ambiente que excita os sentidos, fazendo-nos aprender.

Platão Aristóteles
Aprendizagem de dentro para foraApriorista.Laissez faire. Aprendizagem de fora para dentro.Empirista.Repetir, memorizar.

Interacionismo relativista

Principais mentores: Kant e Piaget. Para os interacionistas aprendemos pela relativização entre a maturação e as experiências. Aprendemos pelas solicitações que o meio faz. Um conceito não é uma verdade estática.

Para Piaget, atendido o desenvolvimento físico e psíquico orientado pelo SNC e SNP, a pessoa aprende a partir da relativização da influência e das exigências do meio. Piaget tomou como aspecto social apenas a família e a escola.

Teoria crítica é a teoria mais aceita e mais atual quanto ao aprender.  Para a mesma a aprendizagem é mediatizada pela cultura. Como a cultura é mutante, dependendo do meio social, as aprendizagens igualmente serão mais ou menos valorizadas na medida quem que sejam privilegiadas pela cultura. Há anos atrás, por exemplo, na sociedade brasileira, grupos de pagode, axé, grupos de dança, jogadores de futebol não possuíam a valorização de hoje, porque, atualmente desvinculou-se a idéia de marginalização de determinados segmentos profissionais, por um lado e por outro, notou a sociedade que essas mesmas profissões são um meio de atingir um status econômico considerável. Na teoria crítica deve-se também notar para as diferenças entre as aprendizagens valorizadas pela escola e pela comunidade em que a mesma se insere; a escola deve saber o que a comunidade valoriza. A teoria crítica vê o indivíduo holisticamente inserido em sua comunidade. O “faça assim!” da escola não tem guarida mais nos processos de aprendizagem e um professor é considerado, antes de tudo, um mediador entre culturas.

Há uma cultura voltada para a elite e outra para as classes populares.

Escola e prática pedagógica

Papel do professor nas diferentes correntes de aprendizagem.

No apriorismo ou inatismo, o professor tem um papel de assessor em relação à criança. É a última que  determina basicamente o que irá aprender. O professor então pouco intervém em suas atividades. Contudo, nem toda a atividade livre é educativa. Laissez faire

 No empirismo há uma situação praticamente oposta à do apriorismo. Aqui o professor tem um papel central; determina todo o ritmo da aprendizagem, ficando o aluno em papel passivo em relação àquele. O professor é o transmissor do conhecimento e a criança nada sabe.

No interacionismo, também chamado de construtivismo o professor ajuda a criança a construir o conhecimento; prepara um ambiente estimulador para a aprendizagem, sendo este muito importante.  O aluno não é passivo, nem o professor é transmissor do conhecimento. Ambos aprendem e ensinam juntos.

 Na educação crítico-social o professor é um mediador cultural a construção do conhecimento depende do meio social onde o aprendente se insere, e que deve ser objeto de atenção do professor. Aqui a criança deve ser pensada como um todo. O aprendizado não tem por objetivo apenas a escola, mas a vida, e é pensada para fora da escola.

Corrente Papel do professor
Apriorista ou inatista Orientador.Alta liberdade para a criança.Laissez faire
Empirista Controla toda ação pedagógica.Baixa liberdade para a criança.Ensino bancário (Freire)
Interacionista Organiza ambientes de aprendizagem.Procura dinamizar a aula com jogos.Estimula aprendizagem colaborativa.
Mediada pela cultura Pensa a criança como um todo.Busca criar cidadania junto à criança.Aprendizagem para fora da sala.

O que vem a ser uma pedagogia liberal?

A pedagogia liberal tem como base o senso comum.

-liberal:sistema capitalista,a escola é capaz de transformar a sociedade,defende a igualdade de oportunidades basta freqüentar a escola.

-é a mais antiga e a  mais rígida de todas as pedagogias

-aptidões pessoais :“uns nascem para mandar e outros para obedecer”; quem nascia bem tinha melhores características

-papéis sociais eram desempenhados conforme a nascença ou por oportunidades conseguidas pelo indivíduo ao longo da vida

-igualdade de oportunidades: todos que  passam pela escola possuem as mesmas oportunidades

-desconsidera a diferença de condições, que os indivíduoss são diferentes entre si (família,valores,cultura,educação,…).Assim como os professores possuem diferentes condições de trabalho,recursos,salários,…

 O que vem a ser uma pedagogia tradicional?

A pedagogia tradicional tem como base o conhecimento científico.

-educação rígida/ensino dogmático

-educação diferenciada para homens e mulheres:

a)homens: esporte,profissões,negócios,…

b)mulheres:cuidados com a casa,com o marido/filhos,vestir-se adequadamento para diferentes situações,…

-surge quando são criadas as primeiras instituições de ensino até mais ou menos 1950.

-direciona a educação para a elite

-Johan Amos(defensor da ped. tradicional):Didática Magna:ensina qualquer coisa para qualquer pessoa em qualquer idade —

-Conteúdos: são dogmas – forte influência da Igreja Católica – verdades não questionáveis

-Conhecimento científico: enfraquece o poder da Igreja e os conhecimentos científicos são introduzidos como conteúdos. Não  podiam ser questionados e os alunos não podiam refletir ou questionar

-método:repetição,memorização e exposição oral

-ênfase no professor:autoritarismo/rigidez,responsável por novas gerações,escolhia o dia e  hora para as aulas,podia aplicar castigos físicos nos alunos

-aprendizagem: disciplina rígida e ocorria aprendizagem por transmissão de conhecimentos

– tradição educacional                                                         X                        pedagogia tradicional

  carácter informal :conhecimento no senso comum                       carácter formal : princípios pedagógicos

  ou inconsciente

-Caracteriza-se por:

 excesso de rigidez – excesso de disciplina – excesso de controle

Anos 30 no Brasil

Instauração da pedagogia liberal através do movimento da Escola Nova.

Buscava renovar a escola. A pedagogia nova ou liberal se opõe a pedagogia tradicional, em um jogo de opostos, de contradições.

Pedagogia nova ou liberal Pedagogia tradicional
Liberal Controle
Atividades livres Instruções programadas
Conhecimento de vida Conhecimento científico
Professor facilitador Professor técnico
Visão crítica Visão acrítica
Democracia e visão crítica da instituições social Obediência aos preceitos do mundo do trabalho.

 Escola Nova – Pedagogia liberal.

Princípios:

  1. Universalidade – acesso ao ensino por qualquer pessoa;
  2. Obrigatoriedade – Remete à obrigação dos pais em matricular os filhos em escolas públicas e gratuitas;
  3. Escola laica – a escola nova era contrária ao caráter religioso dentro das escolas. A instituição deveria ser laica e não estar vinculada a movimentos religiosos;
  4. Pedagogia – A pedagogia da escola nova deveria adotar como princípio o centro de interesses (Dewey), ou seja, ensinar o que fosse importante para o aluno.
  5. A Escola Nova trata a criança como tal e não como um adulto em miniatura;
  6. Questões ergonômicas: móveis, brinquedos: toda a arquitetura interior era planejada para o acolhimento de crianças pequenas.

Eixos:

Liberdade de escolha e de ação. Atividades de canto, música e artes plásticas.

Principais teóricos: John Dewey e Maria Montessori

Pedagogia Renovada Progressista

  1. O principal era o interesse da criança;
  2. Aprender a aprender – importa aqui mais o processo de aprendizagem do que o seu resultado na vida da criança;
  3. Aprender pela descoberta, fazendo;
  4. O professor tem um caráter de auxiliar, assessorando a criança, que tem um papel ativo na aprendizagem;
  5. Utilização de ensino em grupos, trabalhando com o outro;
  6. Construção de regras ouvindo os alunos, que as construiriam;
  7. Preconizava a auto-avaliação, mas a mesma não era suficiente para implementar a questão da autonomia;
  8. A sociedade era totalitária, o que impedia que tal pedagogia tivesse maior sucesso. Ao mesmo tempo em que a escola era libertadora, a sociedade estava atrelada a movimentos não-democráticos.

Pedagogia não-diretiva – Carl Rogers

  1. O importante é a auto-estima e o desenvolvimento pessoal. Os conteúdos são dispensáveis, e eram considerados de pouca valia.
  2. O professor é um facilitador. Toda intervenção é uma inibidora da aprendizagem. Ênfase na motivação e valorização do eu.
  3. A motivação deveria estar em alta, compreendida como um desejo interior que se dá na compreensão do estímulo, que é uma influência externa sobre o eu.
Pedagogia liberal tecnicista – Skinner, Bloom

 Cenário: anos 60. Era de industrialização no Brasil.

  1. A escola é modeladora de comportamentos;
  2. O professor deve lidar com novas tecnologias;
  3. Há uma ligação clara entre escola e mercado de trabalho;
  4. A escola deveria preparar o técnico, por isso dava ênfase aos princípios científicos e aos livros didáticos;
  5. Instruções programadas com técnicos especialistas nas diversas áreas. Dava-se a transmissão de conhecimento por instruções;
  6. Os conhecimentos a serem transmitidos estavam prontos. Havia um controle externa para assegurar a transmissão programada, tudo sob a avaliação do professor, que era igualmente controlado pelo sistema
  7. Atitudinalmente deveria haver uma obediência do aluno. Não só o aluno, mas o professor igualmente era passivo.
  8. Criação dos serviços (SOE, SSE, Inspetor de escola) para exercerem o papel de supervisores dos comportamentos esperados pelo sistema, que era ditatorial e buscava se impor através da modelação.
Freinet  

Método natural de aprendizagem.

Princípios básicos:

  1. Afetividade – deveria haver uma proximidade entre o aluno e o professor. A afetividade não poderia ser relegada a um segundo plano ou então não ser objeto de atenção na aprendizagem;
  2. Autonomia – desenvolvimento de uma co-responsabilidade entre professores e alunos no processo de aprendizagem;
  3. Construção de regras – as regras, para terem significação, deveriam ser construídas pelos alunos e pelos professores, buscando o comprometimento de ambos em relação às mesmas;
  4. Criatividade/comunicação – a escola deveria incentivar a criatividade dos alunos e sua capacidade de comunicação com o outro, sendo tal comunicação imprescindível como aprendizado social;
  5. Expressão dos sentimentos/comunicação – o aluno deveria ter compreensão dos seus sentimentos e saber expressá-los. Tal era sumamente importante na socialização das crianças e em seus sentimentos;
  6. Julgamento pessoal – as crianças deveriam ser capazes de desenvolver um senso crítico que lhes possibilitasse o julgamento pessoal sobre os fatos e atitudes alheias;
  7. Reflexão coletiva – deveria ser incentivada a reflexão coletiva como parte das decisões que deveriam ser tomadas em grupo;
  8. Senso cooperativo – as crianças deveriam saber trabalhar em grupos, sendo cooperativas umas com as outras, para facilitar o acesso ao objetivo ou conhecimento proposto;
  9. Responsabilidade – o processo do conhecimento deveria envolver, obrigatoriamente a responsabilidade pelo mesmo;
  10. Sociabilidade – a mesma deveria ser trabalhada na escola para possibilitar não só uma boa convivência social, mas como fator de propulsão para trabalhos em grupos.
  11. Conhecimentos úteis – deveria haver uma proximidade entre o interesse dos alunos, entre seu cotidiano e o que estava sendo estudado.
  12. Saber fazer – O conhecimento deveria não ser apenas discursivo, mas deveria ter uma aplicabilidade prática. As crianças deveriam aprender a fazer com base no conhecimento construído.

Freinet pregou aproximadamente 30 (trinta) invariantes pedagógicas.

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