Violência nas escolas


VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Aos professores e professoras da  EMEF CHICO MENDES

Em 10 de agosto de 2007, na FAPA, às 19 h, houve o Seminário Violências nas escolas, sendo conferencista Miriam Abramovay. 

Representando a EJA da EMEF Chico Mendes, compareci ao evento, do qual segue relatório e pesquisa adicional sobre a Broken Windows Theory. 

Junto, para consulta ou contato direto com a conferencista seu endereço eletrônico e site: 

mabramovay@gmail.com

http:// http://www.miriamabramovay.com

Encaminhado em 17 de agosto de 2007. Hilton Besnos. 

RELATÓRIO

Seminário Violências nas escolas – um debate necessário.

Miriam Abramovay

Iniciando o seminário, relatou o Sr. Coordenador da 28ª Coordenação de Educação do Estado do Rio Grande do Sul que, em Alvorada, no dia anterior, havia sido inaugurada uma escola para atender 3.300 alunos. Miriam Abramovay falou, incialmente, do conceito norteador do seminário: a existência de violências, plurais no conceito e no sentido. Violências que ocorrem fora da escola e para a mesma se projetam, mas não só essas, senão as que ocorrem em razão da própria estruturação da escola, que não só é vítima mas também agente dessas violências.

As violências nas relações sociais no âmbito da escola vitimizam todos os atores envolvidos no processo educativo: aluno aluno, professor aluno, professor professor, professor , etc. Para tanto, lembrou a conferencista questões ligadas às violências simbólicas, analisadas por Bordieu, que são as que ocorrem muitas vezes despercebidas e se movem através de atos ou omissões que freqüentemente não são associados à violência manifesta.

Também relatou a conferencista as característas das violências “duras” e que ocorrem através de manifestações como, por exemplo, situações que expõe racismo, homofobia ou diferenciação étnica e de gênero. Falou da necessidade de que a escola como um todo e os professores que percebem tais manifestações em aula pudessem se manifestar e discutir de modo aprofundado como operam tais violências, para que a instituição não seja uma (re)produtora de tais cenários de desigualdade.

Foi citado o fenômeno do bullying, como um dos meios de constrangimento comum, especialmente na relação entre alunos, e de deterioração da ambiência escolar. Cita Abramovay que estudos recentes apontam que 22% dos alunos já viram colegas seus com armas dentro da escola, o que constitui crime comum por parte dos portadores das mesmas.

Nem sempre é fácil à escola constatar que um aluno está portando uma arma; no entanto, se os alunos tiverem a confiança em uma figura de referência entre os professores, ou funcionários ou da direção, ou seja, entre os atores envolvidos no processo educativo, é bastante possível que mencionem claramente o fato, tratando-se de uma situação de estabelecimento de vínculos firmes entre tais atores.

Lâmina:

“A violência não apresenta distância nas diferentes práticas sociais e nas esferas da vida social, atingindo a escola e criando uma inquietação crescente.”

Atinge a todos os atores, independentemente de idade e do sexo, causando um nível de sofrimento, muitas vezes, intolerável.”

“É um fenômeno globalizado.”

“A violência pode ser ‘desconstruída'”

Lâmina:

“O tema é complexo e diverso, tanto professores como alunos e pais demonstram uma certa perplexidade. É notório que a escola não vem desempenhando o papel de socialização e de ensino-aprendizagem como poderia ou deveria, para fazer frente à complexidade das relações sociais vividas dentro e fora de seu espaço. A comunidade escolar como um todo, se sente desamparada e despreparada para lidar com toda a problemática das violências e tanto alunos como professores se ausentam freqüentemente do diálogo necessário para minimizar os efeitos da violência.”

A escola não é mais local, nicho de proteção de ninguém.

Projeto de convivência escolar (Bardisa e Viedma 2006: 18)

É preciso:

Diagnóstico do estado em que se encontam as escolas e o sistema educativo;

Identificar aspectos que devem ser modificados, com um debate interno em que participem todos os agentes sociais da escola, para que se definam medidas mediante acordo mínimos – curriculares, organizativos, projetos de conjuntos de mudanças, de capacitação e analíticos – que tenham relação com os problemas encontrados;

Transformar a escola de risco em escola protetora.

Uma escola protetora é uma escola de qualidade que não pode ser acometida por problemas como falta de segurança, medo, terror, eclosão de graves conflitos e incivilidades de diversas ordens, deteriorando o clima, as relações sociais e impedindo que a escola cumpra a sua função.

Para Cecília Braslawsky (2002), a escola protetora, ou a escola de qualidade deve ter buscar uma relação de pertencimento e de valorização da auto-estima dos atores sociais que participam da vida da mesma. Para tanto, devem ser observadas as questões da valorização dos (e aos) professores, a questão do respeito dos (e aos) alunos e, por fim, a questão da formação do professor.

A escola protetora deve ser sensível à família e à comunidade no que respeite à sugestões e debates sobre as formas de reduzir violências, exigindo a participação de todos.

Mudança das relações entre família e escola (Aguado: 2006)

Aguado entende que para obter-se uma escola de qualidade é necessário que haja uma adaptação dos principais agentes educativos – escola e família – às mudanças sociais, devendo existir uma cooperação entre ambos agentes. No entanto, tal diálogo nem semplre é fácil, criando-se situações muitas vezes complexas e sem possibilidade de retorno.

Também deve ser considerada a imagem idealizada da família, que em boa parte dos casos não corresponde à realidade. Saber disso, contudo, não é suficiente. Questões ligadas à previsibilidade no sentido de creditar fracassos à imagem de famílias desestruturadas apenas aumentam a desconfiança mútua que família e escolas alimentam entre si.

Deve ser incentivado pela escola que as famílias participem efetivamente da cultura da escola, discutindo as suas regras, os objetivos gerais da escola e os ideais e as idéias dos pais quanto à educação de seus filhos, de tal modo que reuniões não sirvam apenas para falar a respeito de queixas comuns, mas que tratem de conteúdos e de alternativas ao cenário existente.

Formação de professores

A formação dos professores, no momento, não privilegia o trabalho com situações de conflitos, nem a formação de mediadores escolares. ABRAMOVAY cita como exemplo interessante a implantação da justiça restaurativa, mas tem restrições à cultura de paz, que considera um conceito abstrato e meramente ideológico, sem uma aplicabilidade prática que possa minorar efetivamente a questão das violências.

O espaço da família e o espaço da escola.

Embora se complementem no processo educacional, família e escola operam em espaços sociais distintos. A primeira o faz em um espaço e em um tempo privados, enquanto a escola opera em um espaço público e em um tempo público. Assim sendo, a escola deve se portar como um espaço público que se entenda agredido por violência. Os professores, as direções de escola devem aprender a denunciar tais violências, sejam atos de incivilidade (palavrões, ameaças, desaforamentos, grosserias) ou violências conhecidas como tal, como agressividade física. Denunciar, aqui, no sentido legal, ou através da mídia ou de meios de comunicação, para que tais denúncias venham a servir de contraponto para discussão dos fatos ocorridos.

A escola deve ser mais flexível, mas isso não significa que o professor ou que a própria escola deva ser salvacionista, no sentido de tentar “salvar” o aluno de sua própria história ou da ambiência na qual ele reside. Pesquisas mostram que o ensino de qualidade é inversamente proporcional às violências havidas na sociedade.

Perguntada sobre a descaracterização da escola, ABRAMOVAY disse que ali é o lugar da socialização, do conhecimento, do saber e da palavra. Uma vez que tais marcas não sejam expressas e claras, o aluno passa a associá-la a um local indiferenciado e não um local de acesso ao processo de conhecimento.

Broken Windows Theory 

ABRAMOVAY citou a Broken Windows Theory como uma das situações que podem vir efetivamente a minorar as violências, institucionalizadas ou não e que habitam o ambiente escolar.

Em suma, a teoria das janelas quebradas é a de que pequenos delitos, sem que haja conseqüências ou a atuação do poder público, podem potencializar situações criminosas. Adaptando-se ao ambiente escolar, pequenas transgressões sem que haja uma posição firme dos atores de gestão e de professores fazem majorar problemas e violências no âmbito escolar.

A omissão, portanto, não é o caminho correto.

Pesquisei sobre o tema e espero que os sites abaixo sejam esclarecedores.

site http://segurancaeestrategia.blogspot.com/2007/04/broken-windows-em-copacabana.html

Tal teoria foi desevolvida por James Q. Wilson e George L. Kelling sendo implementada na cidade de New York na decada de 80. No Brasil ela foi equivocadamente traduzida como “tolerancia zero” (o equivoco ascende por tal expressao dar ensejo a conotacoes de arbitrariedades e abusos) e as tentativas iniciais de sua implementacao (notadamente na cidade de Sao Paulo) nao foram bem sucedidas

O cerne da Broken Windows Theory eh que o desrespeito a normas de conduta (mesmo as de pequena monta) em centros urbanos conduz a um ambiente propicio a pratica delituosa. Em outras palavras, um ambiente urbano permeado por condutas que trazem desordem, como sem-tetos que urinam e defecam nas ruas, pedintes que abordam transeuntes de forma agressiva, eh porta de entrada de condutas criminosas.

Nas Palavras de Kelling:

Consider a building with a few broken windows. If the windows are not repaired, the tendency is for vandals to break a few more windows. Eventually, they may even break into the building, and if it’s unoccupied, perhaps become squatters or light fires inside.

Or consider a sidewalk. Some litter accumulates. Soon, more litter accumulates. Eventually, people even start leaving bags of trash from take-out restaurants there or breaking into cars.” A successful strategy for preventing vandalism is to fix the problems when they are small. Repair the broken windows within a short time, say, a day or a week, and the tendency is that vandals are much less likely to break more windows or do further damage. Clean up the sidewalk every day, and the tendency is for litter not to accumulate (or for the rate of littering to be much less). Problems do not escalate and thus respectable residents do not flee a neighborhood.

The theory thus makes two major claims: 1) further petty crime and low-level anti-social behavior will be deterred, and thus 2) major crime will be prevented.

Isso nao significa que há de haver perseguicao de sem-tetos, por exemplo, significa, sim, que tais cidadaos merecem atencao (e assistencia social) e tem que ser separados daqueles que estao nas ruas tao somente para perpetrar crimes. Tal discussao, por exemplo, ja eh travada desde a decada de 60 nos Estados Unidos e ja esta consolidada no sentido da pertinencia da pratica de repressao aos pequenos desvios de conduta pela Policia com suporte de assistencia social.

site: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3730

Hilton Besnos

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