Hargreaves e educação pública


“Na década de 1990, a média de idade dos professores em muitos países da OCDE (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento) estava bem acima dos 40 anos. Sob as pressões da reforma, problemas de ânimo, níveis de estresse e taxas de esgotamento de professores aumentaram, mesmo em países como o Japão, onde os ciclos de reforma educacional haviam começado mais tarde. Muitos professores começaram a se sentir desprofissionalizados à medida que os efeitos da reforma e da reestruturação se faziam sentir,experimentando maior carga de trabalhno, mais regulamentação em seu trabalho e mais dispersões daquilo que eles consideravam o núcleo de sua atividade (ensinar crianças) pela carga de burocracia e de formulários da descentralização administrativa. A pira funerária da educação pública começava a se acender”.

“Um dos pretextos mais fortes para a reforma escolar nas nações ocidentais foi a introdução das comparações internacionais de exames. O milagre econômico dos “tigres” asiáticos de Hong Kong, Cingapura, Coréia e Taiwan, bem como o sol nascente do Japão, levaram os formuladores de políticas no Ocidente a supersimplificar e singularizar as contribuições dos sistemas educacionais dessas sociedades para seu sucesso econômico. Os resultados internacionais de exames de matemática e ciências provocaram ansiedade pública e deram munição para que muitos governos ocidentais reformassem os sistemas educacionais, o que levou a maior padronização e microgestão do ensino e da aprendizagem por meio de sistemas mais rígidos de inspeção, pagamento de acordo com desempenho e reformas curriculares prescritas minuciosamente, que reduziram em muito a latitude das decisões pedagógicas dos professores, como no programa educacional emplamente utilizado Success For All, nos Estados Unidos, e National Literacy Strategy nas escolas fundamentais do Reino Unido”.

“Ironicamente, contudo, a emergente sociedade do conhecimento precisa de muito mais flexibilidade no ensino e na aprendizagem do que foi permitido por essas tendências, como os momentos de declínio das economias asiáticas e seus colapsos no final da década de 1990 levaram as pessoas a reconhecer tardiamente.”
Fonte: Hargreaves, Andy, in O ensino na sociedade do conhecimento: educação na era da insegurança, Porto Alegre, Artmed, 2004, pg. 30.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s