Primeiro eu!


Amanhã, 24 de abril de 2008 haverá uma assembléia do SIMPA, Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, que examinará questões como a data-base da majoração dos vencimentos da categoria e também analisará proposta do Executivo Municipal no sentido de um aumento (ou reajuste?) de cinco por cento com repercussões imediatas nos vencimentos. Aqui na escola temos uma representante da ATEMPA, que é a entidade que representa especificamente os trabalhadores em educação, inclusive os professores. Hoje à tarde, nossa representante nos trouxe a pauta de amanhã na assembléia. Ok.

Agora, as questões paralelas.

Foi proposta uma alternativa para os professores poderem comparecer na assembléia. Considerando que um turno de trabalho equivale a uma carga horária de quatro horas, a escola faria um turno único, pela manhã e que funcionaria do seguinte modo: das oito às dez horas, atendimento dos alunos dos primeiro e segundo ciclos e das dez horas às doze horas, atendimento aos alunos do terceiro ciclo. Ora, é óbvio que ainda restariam duas horas a serem trabalhadas, tanto no turno da manhã quanto no turno da tarde.

Consultado, o turno da tarde entendeu que seriam necessários no mínimo seis professores para darem conta do terceiro turno, das dez às doze horas, mesmo com uma evidente sobrecarga da área de educação física, que organizaria um torneio interturmas.

Ótimo! Tudo resolvido então, uma vez que seis professores se dispuserem a vir à escola para fechar as turmas e as atividades, de acordo com o horário programado para o terceiro ciclo?

Não, claro que não! Bastou a vice-diretora perguntar se, uma vez que estava tudo resolvido, alguns professores gostariam de formar uma comissão para ir à assembléia representando a escola e pronto!acabou a boa-vontade e os meus colegas, então, calaram-se. Não houve uma viva-alma que se dispusesse a ir para a assembléia, a não ser a própria representante da ATEMPA e um outro professor.

O raciocínio era simples: mesmo sabendo que, se trabalhassem apenas no turno da manhã, ainda haveria a obrigação de ir à assembléia, por causa das duas horas restantes, mesmo sabendo que os temas interessam diretamente aos municipários (dos quais os professores fazem parte), mesmo entendendo que todo o movimento de turno único somente existiria em razão e por causa da assembléia, não houve democracia nem inteligência política nem solidariedade que conseguisse mover meus colegas de suas zonas de conforto. Afinal, essas questões, deve entender a maioria, não são páreo comparado com o dia-a-dia, com o de-sempre de todas as tardes.

Então, volta tudo como antes no reino de Abrantes. Esse, infelizmente, é o espírito dos meus colegas (ou da maioria deles para não ser injusto) da escola Chico Mendes: o mais absoluto descomprometimento com qualquer evento, assembléia, reunião ou com qualquer outra coisa que signifique abalá-los de suas rasas conveniências. É lógico, contudo que, se houvesse embutida aí qualquer possibilidade de obter alguma vantagenzinha lá na frente (esquecer as duas horas da assembléia ou compensar isso de algum modo), evidente que os colegas pensariam diferente. Talvez até alguns ensaiassem um discurso mentiroso no sentido de que estavam preocupados com o coletivo quando, em verdade, se ocupavam com nada mais nada menos do que o próprio umbigo.

Em resumo: não haverá turno único porque os professores sequer querem trabalhar as suas quatro horas regulamentares. Isso sem considerarmos que nas quintas-feiras há reunião de duas horas na própria escola, atendendo os turnos da manhã e da tarde (a da EJA é nas noites de sexta-feira).

Se desmobiliza a EMEF Chico Mendes do ponto político da forma mais prosaica possível.  Essa total apatia com os interesses da categoria, que contrasta com uma total pro-atividade no que tange aos próprios interesses corporativistas e personalíssimos, contudo, tem uma rica história na EMEF Chico Mendes. Não é algo que foi criado agora, mas uma das faces de uma escola que adotou a não-posição, o democratismo, o conservadorismo  e a indolência política como bandeiras. E que, sem dúvida, as estende com ares de dama onde deveria haver, no mínimo, uma educação crítico-social e uma responsabilidade política, senão com os alunos, pelo menos consigo mesmos.

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