Zona de conforto


Zona de conforto é algo impressionante. Tem muito a ver com o que fazemos habitualmente. É aquele modo de vida, aquele cenário, aquele lugar que, por vários motivos, sejam reais ou imaginários, conferem a você a sensação de estabilidade. Não importa muito se você até não se sente bem na sua zona de conforto, simplesmente porque você se habitua a ela. A sensação de estabilidade nos acompanha pela vida toda, e possivelmente por isso seja tão complicado nos movermos para fora dessa zona, desse útero que escolhemos para nós mesmos. Sair dela significa enfrentar desafios de toda ordem, não importa se psicológicos, profissionais ou amorosos. Significa trocar hábitos, fugir da rotina: isso traz cenários de instabilidade, de dúvidas, e especialmente de troca de parâmetros, de molduras, de comodidades. É normalmente preferível reclamarmos contra o que temos do que lutarmos por algo diferente.

Domenico de Masi utiliza uma expressão, gossip cultural, que ocorre justamente quando a tecnologia ou os parâmetros sócio-culturais já estão já em mudança, mas continuamos pensando e agindo como os anteriores, aqueles que agora estão em modificação. Uma das questões, por exemplo, do homem pós-medievo, que continuava pensando com a cabeça de quem estava na Idade Média. Porque isso? Para mantermos nossa estabilidade, para nos reconhecermos, mesmo que esse reconhecimento implique em detectarmos a nossa própria paralisia e engessamento. Nossos modelos são ainda muito arraigados, e cada vez que efetivamente tentamos algo novo, diferente, temos uma sensação de instabilidade, de incerteza muito grande, então corremos para as nossas cavernas, para o aconchego do útero, que se nem sempre é confortável, pelo menos é confiável, no sentido de sabermos o que há ali. Sacrificamos ou não temos disciplina suficiente para implementarmos novos cenários porque nos habituamos com o que temos. Nossa alma envelhece, nosso corpo padece, mas somos incapazes de prestarmos atenção em nós mesmos. Os amores caem para a vala comum do esquecimento, as tristezas nos cercam como se estivéssemos ilhados, e os padrões aos quais nos habituamos são a única coisa que vemos.

Interrompemos nossa aprendizagem, e todo corpo vivo aprende, desde uma ameba até um sistema complexo. Não há aprendizagem sem o risco, portanto é preciso que seja criada a instabilidade do não-saber para que possamos continuar evoluindo como pessoas. Aprender, aqui, significa mover-se, predispor-se ao erro natural e, portanto, à crítica. No entanto, como vivemos em um mundo em que padrões já estão suficientemente assentados, não queremos errar, e, portanto, não queremos nos mover, porque a zona de conforto é algo que nos deixa estáveis. No entanto, a humanidade aprende todos os dias, todos os momentos, à todo instante, o que já seria bastante para que abandonássemos nossas pequenas idiossincrasias, nossas rotinas e passássemos a pensar de modo mais consistente em nós mesmos.

Talvez, se aprendêssemos mais, fôssemos mais felizes, mas isso implica, definitivamente, em sermos mais disciplinados, mais ousados em relação aos nossos próprios desejos, afastando o gesso que nos entorpece e o conforto que nos paralisa.

Um pensamento sobre “Zona de conforto

  1. Concordo a zona de conforto se configura em obstáculo a evolução humana . porque impede o alvorecer do potencial humano . é na quebra no equilíbrio químico cérebro mental que apreendemos mais e melhor.

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