Enquanto o sol não vem


Comprei uma calça de veludo e uma camisa. Loquei uma adolescente, dessas que estudam em alguma faculdade e não tem como pagar as prestações. Fiz sexo por três horas e paguei com meu cartão de crédito. Saímos juntos, deixei-a onde queria e fui a um cinema, assisti a um filme cult, reservei algumas moedas pro flanelinha que cuidava do meu carro. Foi um dia razoável, até o momento que me deitei para dormir.
Três horas da manhã e meus pensamentos me atropelavam, então tomei um calmante, bebi um litro de Coca-cola e tentei relaxar. Como amanhã será um dia de trabalho, já comecei a me sentir mal, derrotado, apreensivo. Sempre tenho estas síndromes no final de semana. Ainda bem que vivo só, porque assim nada me alcança. Minha ex-mulher vive na Guatemala e tenho dois filhos que não vejo mais ou menos há uns oito meses. O tempo liquidifica tudo, e já não sei se não estou virado apenas em uma lembrança.
Mês que vem viajo para São Paulo, depois vou ao Rio, me hospedo num quatro estrelas e trabalho que nem um cão. À noite, provavelmente receberei como oferta um corpo feminino, que normalmente os clientes do meu empregador disponibilizam para os executivos mais influentes, como eu. Estou assomado por responsabilidades e não consigo dormir nem acordar direito.
O papa morreu, e eu com isso? Habemus papa? Então está tudo ótimo. Anteontem estive num simpósio meio estranho, sobre educação e aquelas bobagens todas. Citaram um tal de Paulo Freire e um outro que deve ser comunista pelo nome, um fulano chamado Vygotsky (ou seria Ingoski?). Não sei e não quero saber. Fui ao seminário para agradar meu chefe, que me passou o convite e ainda me recomendou que eu entrasse quieto e saísse calado. Seminários de educação são sempre monótonos. Bom mesmo é a Bolsa.
Hoje ainda, no semáforo, um menino me pediu um dinheiro. Dei, dei sim a primeira nota que me apareceu na carteira, dez dólares. Mas não me arrependo, tenho muito medo de tomar um tiro nos cornos. Minha úlcera voltou a doer, nada que um leite quente não resolva. Minha vontade é dormir, dormir, dormir. Minha cabeça dói e o sexo que tive não me deixou totalmente satisfeito. Acho que vou ligar meu laptop.
Pelo menos me distraio, enquanto o sol não chega. HILTON BESNOS

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