Robert Crumb


Em plena época da contracultura, em que os hippies tinham sonhos de conquistar um mundo melhor, sem saber exatamente como e enquanto eram devidamente retratados como hunos descendo a pradaria para liquidar com os romanos – no caso, com o establishment, especialmente na Europa e mais especialmente nos Estados Unidos, houve uma efervecência criativa expressiva.

Mais tarde, como todos sabemos, o próprio movimento hippie foi absorvido pelo mercado, que passou a lidar com o tema a partir do mote “paz e amor” como se fosse uma frase descoberta pelo próprio establishment, o que era de se esperar se realmente encarássemos a realidade.

Naqueles anos de necessidade criativa, vários artistas de todas as ordens se destacaram no mundo da criatividade. Um deles era Robert Crumb, criador de Mr. Natural, Fritz the Cat e a tira Keep on Trunckin’. Crumb fazia seus comics um a um, de modo artesanal, e os vendia juntamente com sua mulher. Na década de 60, passou a publicar na Zap Comics, sendo muito apreciado pelos hippies e tornando-se um ícone da contracultura.

Muito tempo se passou desde então, e da década de 60 até hoje muita coisa mudou. No entanto, embora para uma grande parcela de jovens Crumb seja um desconhecido, sua arte permanece, especialmente se pensarmos que o mesmo retratou de modo bastante coerente as angústias, as perversões, as eternas dúvidas e verdades recebidas sem crítica da sociedade americana e daí, repercutidas para suas colônias culturais e econômicas.

O caráter ácido, crítico e por vezes impiedoso de Crumb em relação às realidades então existentes mostrava que seu trabalho implicava num profundo conhecimento do caráter subjetivo do americano médio. Suas mulheres, os temas tratados pelo mesmo eram o sonho, os desejos inconfessáveis (para uma sociedade pretensamente puritana) eram mesclados a um sentimento de culpa quase que tangível em seus comics.

De minha parte, lia e apreciava Crumb através do Grilo, do Pasquim e de outras publicações que, de um modo ou outro igualmente atacavam a malfadada ditadura militar brasileira. Era ali, lendo e pensando sobre Crumb, os movimentos culturais alternativos e sempre valentes, filtrando informações e matutando sobre a liberdade, que fui me estruturando como pessoa e como cidadão.

Valeu, Crumb! HILTON BESNOS

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