Aposentadoria e os idiotas da auto-afirmação


A aposentadoria é um período na vida no qual muitas pessoas te invejam como se, de repente, você descobrisse um baú de tesouros. Algumas te invejam sendo complacentes, mas outras são mais agressivas e pensam que podem dizer o que bem entendem. Na maior parte das vezes, dizem piadinhas idiotas como os próprios que as emitem.

As piadinhas imbecis ditas por idiotas versam basicamente sobre dois temas: primeiro o de que você é um inútil, não faz nada, fica o tempo todo em casa, está sempre à disposição para atender ao mundo, justamente por que não segue uma rotina de trabalho. O segundo tema, recorrente é o de que você é um homem acabado, desinteressado pela vida e especialmente por sexo.

No primeiro caso, mesmo que o imbecil saiba que você e ele são capazes de trabalhar na mesma atividade, em hipótese alguma ele irá lhe convidar para qualquer trabaho, mesmo que seja na qualidade de free lancer. No fundo, ele não te chama pra nada porque sabe que você tem mais experiência que ele e que pode competir diretamente; então é melhor deixar o aposentado afastado, e ir curtindo as brincadeirinhas bobocas de sempre. No fundo isso se chama insegurança.

O segundo tema é sexo. O idiota pensa que você simplesmente esqueceu o sexo porque se aposentou; para ele é algo como se fosse tivesse sido castrado, perdesse completamente o interesse em relação a. No entanto, ele mantém um controle de senhor medieval sobre a sua (dele, óbvio) mulher, e faz questão absoluta de reafirmar, seja em gestos ou palavras que você “que pena, né, tá aposentado…”. No entanto ele sabe que não pode baixar a guarda, senão o aposentado é capaz de surpreendê-lo.

Mas essa é só uma parte do que você ouve quando é aposentado. O melhor mesmo é quando as pessoas te tratam com deferência, com respeito. Quem o conhece ainda o brinda com reconhecimento, que talvez seja o maior bem que alguém possa ter. Um reconhecimento positivo é como uma marca que você, somente você, pode arrancar. Penso que é melhor do que a glória, do que o prestígio, porque ambos podem ser passageiros, transitórios, fugazes. O reconhecimento, contudo, é perene.

Entre o melhor e o pior, há o meio, o mediocritas, que por vezes é bom, por vezes nem tanto. Contudo, é o que você lida na maior parte do tempo. Bom se acostumar. Somente peça aos Deuses que você não esteja muito próximo do menino-que-tem-de-mostrar-ser-o-máximo-o-tempo-todo. Além de tolo, é muito mal educado. Uma lástima.

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