Os pássaros e a emoção do voo


Vá lá que o homem chore, desconsolado, deixem-no chorar, porque em cada lágrima há um motivo ou um sentimento. Não importa em nada, nem para mais, nem para menos, que entendamos por que ele o faz, por que nos aparenta assim tão frágil e desconstruído em si mesmo.  Há em tudo um misto de  recordações, de momentos que não compreenderíamos pelo simples motivo de que não os vivemos. Em alguns, poderíamos até estarmos juntos do velho homem, poderíamos sentir que a emoção nos aflorava, mas não podemos nunca transferí-las, sentir como o outro sente, o grande mistério de tudo.

No entanto, aquele choro é puro, é límpido, é um cristal que vai se dissolver ali adiante, perdido em alguma esquina entre memórias e fatos, entre o significado e o que deixou, muitas vezes, de ser falado, explicitado, que não pode ser lido entre nossas breves ilusões de entendimento.

Que bom que o homem chore, e, melhor, que bom que não possamos entender de tudo um pouco, ou que não tenhamos a capacidade de fruir em conjunto tais motivos e razões. Em tudo e por tudo, a beleza do mistério permanece, pássaro voando, leve, como a alma dos apaixonados no amanhecer. HILTON BESNOS, Xangrilá, RS, 29/12/2014

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