Paradigma


 

A DO DIA.

Desde o paradigma cartesiano (René Descartes, 1596 – 1650) e da Revolução Francesa (1789), passamos a pensar em termos de bipolaridade, o que influenciou decisivamente não apenas os critérios científicos e políticos, mas também o modo de vermos o mundo. Hoje em dia, embora pensadores como Einstein, Heisemberg, Morin, Capra e outros nos ensinarem que vivemos em um mundo no qual soluções parcialistas e padrões excludentes entre si nãomais poderem explicar o mundo em que vivemos, insistimos em um gap cultural, como diria De Masi. Continuamos nos relacionando e vendo o mundo em termos de padrões excludentes sem sentido.

Por isso, assim como o pensamento descartiano nos fazia crer em padrões dissidentes entre si (dia, noite – espírito, matéria – bem, mal – razão, sentimento – céu, terra – escuridão, clareza – direita, esquerda et caterva) e incorporamos esse tipo de raciocínio, temos dificuldades enormes de encararmos a realidade simples, e, especialmente, de transitarmos entre essas duplicidades de vermos o mundo e nossos semelhantes.

Nesse sentido, creio que aprendemos pouco desde o século XVII.

Por isso, embora os próprios físicos insistam em que o observador não é neutro, na medida em que não pode abortar suas próprias ideias a respeito do que observa, continuamos nos digladiando ad eternum para provarmos que nossas teses são as mais corretas, nossas verdades são as mais irretocáveis, nossas ironias são humor, nossas falsidades são um exercício metafórico, e que o poder somente será melhor se estiver nas mãos de quem elegemos para tanto.

Na verdade somos ingênuos. Talvez a maior dessas vilanias seja pensarmos em que os demais é que são ingênuos, desprezarmos a inteligência alheia ou, pior, não seguirmos o que nos disse e nos ensinou Paulo Freire – aprendemos com o outro e através do outro ou, para quem gosta de literatura e citando ocasionalmente Saramago – tentar convencer o outro de nossas convicções não passa de tentativa de colonialismo cultural.

Abraços a todos.

HILTON BESNOS

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