Aprender é (re)significar


Temos uma vida inteira para aprender, no sentido de que temos tempo para tanto, o que pode ser uma belíssima armadilha. Necessariamente aprenderemos as coisas comuns do dia-a-dia, das nossas práticas diárias. No entanto, para termos um conhecimento mais genérico, que possa se transformar em algo que melhore nossas vidas e a dos demais, especialmente os mais próximos, teremos de considerar o aprendizado como um valor, algo que muitas vezes não está somente na escola, mas fora dela, ou seja a atribuição de um significado àquilo que buscamos compreender. Aprender, assim definido, é sempre um plus.

Para que tal ocorra, é indispensável uma mediação com o outro. Desde quando entendemos que somos fisicamente distintos daquele, encaramos mesmo que de modo inconsciente nosso primeiro luto psicológico que é vivenciarmos essa separação física por um lado, e nossa dependência desse mesmo outro. É óbvio que quando tal fenômeno se dá não o racionalizamos como aqui o fizemos, mas simplesmente sabemos que é assim, portanto aprendemos com o outro que é assim. Nosso aprender, portanto, sendo individual, não prescinde de rupturas. Obstáculos, vistos assim, servem para que nos apropriemos do conhecimento, nos empoderemos através e mediado pelo outro.
Essa graduação de movimentos, contudo, nem sempre é assim entendida, pois, na verdade, é um paradoxo. Para aprender interajo, compartilho ensinamentos e experiências com um outro, mas sempre o resultado será individual. Dito assim, aquele pode ser referenciado tão-só como um instrumento para empoderar-me do conhecimento, sempre parcial (é bom que se diga) , para tornar-me diferente do que eu era. Uma vez que  detenha esse conhecimento, não mais dele outro necessito, podendo descartá-lo enquanto viabilidade estratégica para alcançar meus objetivos.
E assim seguem os aprendizados. Descartando, construindo e, especialmente, desacomodando, dentro de um padrão interacional, Quando dizemos que ambos aprendem com o próprio aprendizado, ou seja, não é somente o aluno que aprende a aprender, mas igualmente o mestre que o educa, temos de ter um certo cuidado.
Quem aprende não está no mesmo grau ou patamar de aprendizado daquele que o ensina. Quem aprende busca um objetivo em si mesmo, que é o empoderar-se de algo que não possui, o próprio conhecimento, mas quem o ensina compartilha o que já lhe foi anteriormente empoderado. A estratégia de ambos, contudo, é comum, interacional.
Logo, professores e alunos não estão no mesmo nível de conhecimento, embora ambos possam aprender no que tange às  estratégias que se ajustem às situações individuais. Não houvesse esse desnivelamento de conhecimento, teríamos um sistema homogêneo, e não seria possível a troca interacional porque o homogêneo tende ao equilíbrio, e onde há equilíbrio não há desemparelhamento.
A vida necessita de trocas, portanto é algo que se dá dentro da não-homogeneidade: contrariamente é necessário um sistema aberto, dinâmico, que necessita da diferença que a caracteriza. O aprendizado funciona igualmente como um sistema aberto, desacomodador. Quando nos deixamos ficar em um sistema fechado, ou quando pretendemos isso, deixamos de aprender. O aprendizado vive de acumulações, de rompimentos e de novas aquisições, portanto, igualmente é um sistema aberto, pulsante. Pensar diferente é pensar na morte do aprendizado e no estabelecimento de zonas de conforto que, no mais das vezes, perturbam a evolução de nossas habilidades em todos os níveis de conhecimento. HILTON BESNOS

 

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