Oscar Niemeyer

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo ouniverso, o universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro

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Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

Esta é a Ana.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

President1

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

Fonte do texto em inglês: http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.html

Papa recebe transsexual no Vaticano: “Deus aceita-te como és”.

FONTE GELEDÉS
http://www.geledes.org.br/papa-recebe-transsexual-no-vaticano-deus-aceita-te-como-es/#axzz3QmVZKF5u

Papa recebe transsexual no Vaticano: “Deus aceita-te como és”

Publicado há 2 dias – em 2 de fevereiro de 2015 » Atualizado às 19:11
Categoria » LGBTI

 papa

Depois de dois telefonemas, o encontro. O Papa Francisco recebeu esta semana um cidadão espanhol transsexual e a namorada no Vaticano. “Claro que és filho da Igreja”, disse.

Por , do Observador 

Diego Neria Lejárraga era Cuca até há oito anos, quando decidiu fazer a operação de mudança de sexo. Católico praticante, sofreu durante anos com o facto de não ser aceite pela Igreja. Pelo menos pela parte mais conservadora da Igreja na pequena cidade espanhola de Plasencia, em Cáceres, onde sempre viveu. Há uns meses resolveu escrever uma carta ao Papa Francisco onde expunha o que sentia e onde questionava se era mesmo filho de Deus. Mensagem recebida. O Papa telefonou-lhe e o encontro com Diego e a namorada, Macarena, concretizou-se este fim de semana no Vaticano.

“Deus quer bem a todos os seus filhos, sejam como forem, e tu és filho de Deus por isso a Igreja aceita-te como és”, terá dito o Papa Francisco quando telefonou ao espanhol de 48 anos, que chegou a ser apelidado por um padre de ‘filha do diabo’, para marcar os pormenores da sua ida ao Vaticano. O encontro realizou-se no sábado passado, mas foi marcado propositadamente fora da agenda oficial do chefe da Igreja Católica, longe dos holofotes.

Conhecido por telefonar às pessoas sem se fazer anunciar, o Papa Francisco ligou pela primeira vez a Diego a 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, e voltou a apanhá-lo no telemóvel no dia 20 para acertar os pormenores da viagem. Segundo o El Mundo, que já falou com Diego Lejárraga depois do encontro papal, a primeira vez foi apenas para dizer que estava a par da sua situação e que queria recebê-lo no Vaticano. Prometia ligar novamente.

Prometido, cumprido. A 20 de dezembro, Diego estava de visita a Sevilha, onde vive a namorada, quando recebeu a segunda chamada. Entrou numa loja para acalmar o ruído e poder ouvir melhor. Era o Papa que estava do outro lado da linha a perguntar-lhe quando lhe dava mais jeito ir a Itália. “Durante o fim de semana é melhor, não é?”, perguntou o chefe da Igreja Católica. “Quando quiser”, limitou-se a responder. Ficou então marcado para um sábado, para não interferir com a semana normal de trabalho do convidado, e depois de Francisco ter pedido uns minutos para olhar para a agenda, lá atirou: “Tenho uma possibilidade no dia 24 de janeiro às 17h, que tal?”.

Feito. Respondendo às dúvidas logísticas de Diego, o Papa ainda terá pedido para não se preocupar com os gastos da viagem. De resto, “basta chegarem à porta da residência de Santa Marta e dizerem que estou à vossa espera”.

Oficialmente, a Igreja não reconhece mudanças de sexo, mas o Papa Francisco instou-a a mostrar mais compaixão para com setores da sociedade que se sentem excluídos, nomeadamente quando recentemente disse, a propósito dos homossexuais, “Quem sou eu para os julgar?”.

Diego Lejárraga não adiantou muito à imprensa sobre o que foi dito na audiência com o Papa, por ser “um segredo só deles [nosso]”, mas descreveu o momento como “uma experiência única”. No limite, sabendo que a transsexualidade ainda não é bem aceite por todos, espera pelo menos que o seu caso sirva para que outras pessoas na sua situação não passem pelo mesmo tipo de discriminação que ele passou.

4/2/2015Geledés Instituto da Mulher Negra

Jornalismo de horrores

FONTE OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed827_jornalismo_de_horrores
MÍDIA SENSACIONALISTA
Jornalismo de horrores

Por Marcos Fabrício Lopes da Silva em 02/12/2014 na edição 827

Gentil e visceralmente, o poeta Eugênio Giovenardi propõe versos para melhor alertar a Humanidade sobre os perigos comportamentais oriundos do distanciamento da sensibilidade, levando, por exemplo, pessoas a cometerem atrocidades violentas que prejudicam a qualidade de vida no mundo. No livro Ventos da alma (2003), especialmente nos poemas “Preocupações” e “Horrores cotidianos”, Giovenardi destaca criticamente o peso da violência simbólica (mãe da violência física) promovida pelo jornalismo sensacionalista.

Cada agente midiático é responsável por aquilo que diz/escreve, num nível existencial em que nossos compromissos éticos, políticos e estéticos encontram-se e ligam-se estreitamente. Ao naturalizar a tristeza, a “imprensa marrom” contribui para a transformação do horizonte colorido em totalidade cinzenta, fazendo-nos crer que a felicidade é um tipo de “impossível desnecessário”, projetando, assim, um “efeito estufa” no qual o trágico é alçado perigosamente como resumo mais apropriado do humano.

No primeiro poema assinalado, Giovenardi utiliza o recurso da enumeração gradativa, negativamente condicionada a processar automaticamente a realidade social como se ela fosse um mero conjunto de quinquilharias atitudinais ordinárias. O cotidiano é empobrecido por conta da ausência do sublime, favorecendo a proliferação nefasta doimpério do grotesco:

“O juro da caderneta,/ a flutuação do dólar,/ a conta da luz,/ a antena da tevê,/ o mau humor da empregada,/ as bebedeiras do caseiro,/ a ausência dos amigos,/ a superficialidade das telenovelas,/ a indiferença dos funcionários/ do Correio e da Telebrasília./ As queimadas criminosas e primitivas,/ os alarmes dos carros,/ os cavalos de pau/ e os pegas noturnos,/ os meninos de rua,/ os cuidadores de carro,/ os ladrões de banana,/ os anões do congresso,/ os políticos ladinos,/ os corruptos insignes,/ as falas do presente,/ os protestos inúteis do cidadão,/ as imunidades da corte,/ as impunidades legais./ Brazagallo, brazico, Brasil,/ o imenso carnaval continental,/ a irresponsabilidade geral.”

Muros antissociais

Interessa-nos, de perto, perceber como o poeta apela objetivamente para o meio descritivo no sentido de melhor dissertar sobre a pequenez de nossas preocupações que impedem a experiência da vida em plenitude. Considerar tudo o que se passa como mínimo também prejudica a sensibilidade humana como linguagem afetiva capaz de acolher as sutilezas variadas, conforme a natureza específica e relacional de cada matéria. Cair no conto da mesmice é, assim, perder de vista o que de maravilhoso acontece, aceitando o enfadonho como única instância do real. Nesse sentido, “a antena de tevê” e “a superficialidade das telenovelas”, segundo Giovenardi, fazem parte da lista de fatores negativos que rebaixam ou inviabilizam a nossa potência de agir, mirada na qualidade estética (a procura do belo) e ética (a procura do bem).

Crescem, desse modo, os “horrores cotidianos”, em progressão assustadoramente geométrica. Assim, Giovenardi, no segundo poema citado, prossegue em seu empenho de defender a dimensão afetiva como potência de transformação expansiva. Infelizmente, a imprensa sensacionalista vem se colocando como promotora de muros antissociais, desestimulando consequentemente a construção de pontes comunitárias que possam, de fato, ligar todas as fontes subjetivas de onde brotam todas as riquezas substantivas:

“Incêndio na favela de Heliópolis,/ explosão do shopping de Osasco,/ matanças nas periferias/ de qualquer cidade,/ chacinas no centro de hemodiálise/ de Caruaru./ Mortes em massa na casa de velhos/ Santa Genoveva,/ chacina de sem-terra/ em Corumbiara e Eldorado/ de Carajás./ Sangue, choro, desespero,/ velórios coletivos, solidariedade,/ heroísmo, passeatas, protestos,/ discursos, promessas, fotografias,/ reportagens ao vivo,/ quase anunciadas,/ quase programadas./ Silêncio! enterro das vítimas./ Esquecimento./ Até daqui a pouco./ Até a próxima.”

Violência com indiferença

Está projetada nestes versos uma realidade editorial concreta: a mídia e sua “necrofilia insaciável”. Os destaques jornalísticos oferecem prioridade à melodramatização de um discurso que parece fascinado pelo sangrento e o macabro. Desponta, no jornalismo sensacionalista, a cultura do fait divers (introduzido por Roland Barthes, no livro Ensaios Críticos, em 1964), formado por um mosaico noticioso de ocorrências escandalosas, curiosas e bizarras que, desde o início da imprensa, dão o tom editorial mais apelativo, visando chamar a atenção da audiência. Em ritmo industrial galopante, o mercado noticioso não pode parar. Ele é marcado por fatos que se esgotam, quando cumprida a sua missão efêmera, e que, em seguida, devem ser destruídos: fisicamente, diz-se que os jornais do dia anterior “servem apenas para embrulhar peixe”; psicologicamente, sua memória será substituída por uma novidade no dia seguinte.

O triunfo do jornalismo sensacionalista sobre o jornalismo de reflexão contribui para a atitude passiva de muitos setores da sociedade em relação à violência. Trata-se de um sistema perverso que sobrevive às custas da produção, em larga escala, da “mercadoria da crueldade”, conforme termo cunhado pelo professor Adélcio de Sousa Cruz, emNarrativas contemporâneas da violência: Fernando Bonassi, Paulo Lins e Ferréz (2012). A insensibilidade, frente aos fatos, se agiganta, conforme o alto volume de frases de defeito moral conferidas pela criminosa imprensa do trauma. Bestificados com o teatro de horrores, transmitido diuturnamente pela mídia, fecham-se os olhos para as mazelas do mundo. Tudo em prol de frivolidades que promovam um generalizado escapismo alienador e maléfico. Um atentado à vida deixa de ser preocupante – eticamente falando – por razões de alteridade anestesiada. Muito bem ilustra esta tendência rudimentar a canção De frente pro crime (1975), composta por João Bosco e Aldir Blanc:

“Tá lá o corpo estendido no chão/ Em vez de um rosto uma foto de um gol/ Em vez de reza uma praga de alguém/ E um silêncio servindo de amém/ O bar mais perto depressa lotou/ Malandro junto com trabalhador/ Um homem subiu na mesa do bar/ E fez discurso pra vereador/ Veio camelô vender anel, cordão, perfume barato/ E a baiana pra fazer pastel e um bom churrasco de gato/ Quatro horas da manhã baixou o santo na porta-bandeira/ E a moçada resolveu parar, e então…/ Tá lá o corpo estendido no chão/ Em vez de um rosto uma foto de um gol/ Em vez de reza uma praga de alguém/ E um silêncio servindo de amém/ Sem pressa foi cada um pro seu lado/ Pensando numa mulher ou num time/ Olhei o corpo no chão e fechei/ Minha janela de frente pro crime.”

Um dos maiores agentes difusores e produtores da violência, o fazer sensacionalista povoa o jornalismo de palavras espinhosas, impedindo que a sociedade reconheça seus membros como seres floridos e capazes de oferecer ao mundo o “mel do melhor”. O fel do pior, elevado midiaticamente à enésima potência, provoca um fenômeno extremamente perverso: a “banalidade do mal”, como diria Hannah Arendt. Na “imprensa marrom”, as palavras ficam sobrando, pois não fundam vínculos sociais, não esclarecem mentes e corações, não atraem relações sensíveis e não acrescentam nada de dignificante para a humanidade. Sabemos que a realidade humana encontra-se fundamentada segundo os princípios do bem e do mal, do aperfeiçoamento e da destruição. E para darmos conta desta composição ambivalente, precisamos nela mergulhar mediante a palavra pensada, a palavra consciente.

No sensacionalismo, a palavra escandalizada e pisoteada dá o tom do barulho frenético midiatizado grosseiramente, beneficiando o modelo apressado de cobrir a realidade jornalisticamente. No beco escuro das redações, explodem a violência com indiferença. A respeito, já alertava Carlos Drummond de Andrade, em Poema do jornal (1930):

“O fato ainda não acabou de acontecer/ e já a mão nervosa do repórter/ o transforma em notícia./ O marido está matando a mulher./ A mulher ensanguentada grita./ Ladrões arrombam o cofre./ A polícia dissolve omeeting./ A pena escreve./ Vem da sala de linotipos a doce música mecânica”.

***

Marcos Fabrício Lopes da Silva é professor da Faculdade JK, jornalista, poeta e doutor em Estudos Literários

O estigma da trabalhadora sexual: a lei perpetua nosso ódio de prostitutas

O ESTIGMA DA TRABALHADORA SEXUAL: COMO A LEI PERPETUA NOSSO ÓDIO (E MEDO) DE PROSTITUTAS

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Artigo da antropóloga Laura Agustín, publicado originalmente em 15 de agosto pela http://jacobinmag.com/, sob o título “Leis sobre Prostituição e a Morte de Prostitutas”, e reproduzido por http://www.salon.com/ no dia 16, com o título acima.

Nossa sociedade faz vista grossa para o assassinato de trabalhadoras do sexo, considerando-as menos do que humanas. Por quê?

Não importa de que direção política você vem: os temas de trabalho com sexo, exploração sexual, prostituição e tráfico de pessoas para sexo parecem um Nó Górdio. Enquanto você ouve um grupo de defensores e toma as evidências em boa fé, você está OK. Mas no minuto em que você ouve outro grupo de defensores com argumentos e evidências diferentes, tudo se desmancha. A forma como essas assuntos se intersectam leva a contradições insustentáveis, que fazem o progresso parecer impossível. A angústia e o vale-tudo ideológico predominam.

Vinte anos atrás, eu fiz pela primeira vez duas perguntas que continuam a me abalar hoje. A primeira é respondível: O que uma mulher que vende sexo realiza que a leva a ser tratada como caída, fora dos limites, incapaz de falar por si mesma, menosprezada quando fala, invisível como membro da sociedade? A resposta é que ela carrega um estigma. A segunda pergunta é um corolário: Por que a maior parte das conversas públicas focaliza as leis e regulamentações que visam a controlar essas mulheres estigmatizadas, ao invés de reconhecer seu papel como agentes? Para isso, a resposta não é tão direta.

Sou levada a fazer essa avaliação depois do assassinato de alguém que eu conhecia, Eva-Maree Kullander Smith, conhecida como Jasmine. Morta na Suécia por um ex-companheiro irado, Eva-Marie também foi vítima da morte social que atinge as trabalhadoras sexuais, qualquer que seja o nome pelo qual você prefira chamá-las. Imediatamente depois do assassinato, ativistas pelos direitos humanos amaldiçoaram a lei sueca sobre prostituição, que tem sido promovida em todos os lugares como a melhor para as mulheres. Minha própria reação foi um sentimento horrível, quando percebi que a noção de uma Indústria do Resgate, cunhada durante minha pesquisa sobre a “salvação” de mulheres que vendem sexo, era mais adequada do que eu havia pensado.

Os assassinatos de trabalhadoras sexuais são assustadoramente frequentes, incluindo assassinatos em série. Em Vancouver, Robert Pickton chegou a matar 26, entre 1996 e 2001, antes de a polícia se importar o suficiente para fazer alguma coisa a respeito. Gary Ridgeway, condenado por matar 49 mulheres nos anos 1980/90 no estado de Washington, disse: “Escolhi prostitutas porque pensava que poderia matar quantas quisesse sem ser pego.” Declarações infames de policiais e promotores incluem a do procurador-geral durante o julgamento de Peter Sutcliffe, em 1981, pelos assassinatos de pelo menos 13 mulheres no norte da Inglaterra: “Algumas eram prostitutas, mas talvez a parte mais triste deste caso é que algumas não eram.” Ele pôde dizer isso por causa de uma crença onipresente de que o estigma colado em mulheres que vendem sexo é real – que prostitutas realmente são diferentes de outras mulheres.

Meu foco no feminino é deliberado. Todos os que propõem políticas para a prostituição estão cientes de que homens vendem sexo, mas eles não estão preocupados com homens, que simplesmente não sofrem a desgraça e a vergonha que recaem sobre as mulheres que o fazem.

Estigma e desqualificação

Muita gente tem apenas uma vaga ideia do que a palavra estigma significa. Pode ser uma marca no corpo de uma pessoa – uma característica física, ou uma Letra Escarlate. Pode resultar de uma condição como a lepra, na qual a pessoa afetada não tem como evitar o contágio. Sobre sua seleção de vítimas, Sutcliffe disse que podia afirmar, pela maneira como as mulheres andavam, se elas eram ou não sexualmente “inocentes”.

O estigma também pode resultar de comportamentos vistos como envolvendo escolha, como usar drogas. Para Erving Goffman, as identidades dos indivíduos são “estragadas” quando o estigma é revelado. A sociedade dá sequência desacreditando o estigmatizado – chamando-os de depravados ou anormais, por exemplo. Marcadas com o estigma, as pessoas podem sofrer uma morte social – a não-existência aos olhos da sociedade – se não a morte física, em câmaras de gás ou em assassinatos em série.

No fim dos anos 1990, eu imaginava por que um grupo migrante que aparecia frequentemente nos informes da imprensa e era bem conhecido por mim, pessoalmente, estava ausente da literatura acadêmica sobre migração. Vim a entender que mulheres migrantes que vendem sexo eram desqualificadas como tema de estudos sobre migração, em alguns casos em um processo inconsciente dos intelectuais e dos editores de publicações acadêmicas. O estigma ligado a vender sexo era tão sério, a ponto de ser melhor não mencionar essas migrantes, absolutamente? Ou as pessoas pensavam que a venda de sexo transporta necessariamente qualquer coisa escrita sobre ela para um novo campo, como o do feminismo? Quando submeti a uma publicação sobre migração um artigo que tratava dessa desqualificação, “O Desaparecimento de uma Categoria de Migração: Mulheres que Vendem Sexo”, dois anos e meio se passaram até a sua publicação, provavelmente porque o editor não encontrava revisores da mesma área dispostos a lidar com minhas ideias.

Dos muitos livros sobre prostituição que li naquela época, a maioria descartava a possibilidade de que mulheres que vendem sexo pudessem ser racionais, comuns, pragmáticas e autônomas. As desculpas seguiam um padrão: as mulheres não entendiam o que estavam fazendo, porque não eram educadas. Elas sofriam de uma consciência falsa, o fracasso em reconhecer sua própria opressão. Elas eram viciadas em drogas, que nublavam suas mentes. Elas haviam sido seduzidas por cafetões. Elas eram manipuladas por suas famílias. Elas eram danificadas psicologicamente, de modo que seus julgamentos eram falhos. Se eram imigrantes, elas pertenciam a culturas não esclarecidas, que não lhes deram opções. Porque sofreram lavagem cerebral por parte de seus exploradores, nada do que elas dissessem podia ser confiável. Essa série de desqualificações levou a lacunas grandes na literatura das ciências sociais e da mídia dominante, mostrando que o poder de um estigma que tem seu próprio nome – o estigma da puta. Dadas as identidades estragadas dessas mulheres, outros se sentiram chamados a falar por elas.

A Indústria do Resgate, os regimes legais e o estigma

Diz-se que uma pessoa em uma profissão ou campanha de ajuda personifica o bem na humanidade – benevolência, compaixão, desapego. Mas quem ajuda assume uma identidade positiva muito distante daqueles afetados pelo estigma, e recebe benefícios com isso: prestígio e influência para todos e emprego e segurança para muitos. Muitos acreditam que quem ajuda sempre sabe como ajudar, mesmo quando eles não têm experiência pessoal da cultura ou da economia política na qual estão intervindo. O que eu notei foi como, apesar do grande número de pessoas dedicadas a salvar prostitutas, a situação das mulheres que vendem sexo nunca melhora. A “Construção de Identidades Benevolentes por Meio da Ajuda a Mulheres que Vendem Sexo” foi a chave que desbloqueou minha compreensão da Indústria do Resgate.

Abolicionistas falam o tempo todo sobre a prostituição como violência contra mulheres, estabelecem projetos para resgatar trabalhadoras sexuais e ignoram a disfuncionalidade de muito do que é concebido como “reabilitação”. O abolicionismo contemporâneo focaliza em grande parte o resgate de mulheres consideradas vítimas do tráfico, tendo como alvos as mulheres móveis e migrantes que mencionei antes, que agora desapareceram completamente numa narrativa de vitimização feminina. Embora muito disso esteja sob uma bandeira feminista, maternalismo colonialista é uma descrição melhor.

No abolicionismo clássico, o estigma da puta é considerado uma consequência do patriarcado, um sistema no qual homens subjugam mulheres e as dividem entre as boas, que são casáveis, e as más, que são promíscuas ou vendem sexo. Sustentam a ideia de que se a prostituição fosse abolida, o estigma da puta desapareceria. Mas os movimentos contemporâneos contra envergonhar a vadia, contra culpar a vítima e a contra a cultura do estupro mostram claramente como o estigma da puta se aplica a mulheres que não vendem sexo – portanto, o argumento é fraco. Em lugar disso, a aversão do abolicionismo à prostituição provavelmente reforça o estigma, apesar da mudança da prostituta para o status de vítima, do status de transgressora que ela tinha antes.

No proibicionismo, aquelas envolvidas em sexo comercial são criminalizadas, o que reproduz o estigma diretamente. Nesse regime, a mulher que vende sexo é uma fora-da-lei deliberada, o que, estranhamente, lhe dá um certo papel de sujeito da ação.

Para os defensores da descriminalização de todas as atividades do sexo comercial, o desaparecimento do estigma da puta aconteceria por meio do reconhecimento e da normalização da venda de sexo como trabalho. Não sabemos ainda quanto tempo pode demorar para que o estigma morra em lugares onde algumas formas de trabalho com sexo foram descriminalizadas e regulamentadas: Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, Holanda. Tendo em vista a potência do estigma em todas as culturas, pode-se esperar que ele diminua de forma desigual, porém estável, como aconteceu e continua a acontecer com o estigma da homossexualidade em todo o mundo.

Leis sobre prostituição e moralidades nacionais

Expliquei de modo extenso meu ceticismo quanto a leis sobre prostituição em um artigo acadêmico, “O Sexo e os Limites do Iluminismo: a Irracionalidade de Regimes Legais para Controlar a Prostituição”. Todas as leis sobre prostituição são concebidas como métodos para controlar mulheres que, antes de as ideias sobre vitimização se firmarem, eram vistas como figuras poderosas e perigosas associadas a rebelião, revolta, carnaval, o mundo de ponta-cabeça, poder espiritual e maldade calculada. Conversas a respeito de sobre leis sobre prostituição, não importa onde ocorrem, discutem como administrar as mulheres: é melhor permitir que elas trabalhem ao ar livre ou limitá-las a lugares fechados? Quantos salões de lapdancing devem obter licenças e onde devem ser localizados? Em bordéis, com que frequência as mulheres devem ser examinadas para doenças sexualmente transmitidas? A retórica de ajuda e salvação que cerca a lei se conforma aos esforços do Estado para controlar e punir; a primeira parada para mulheres apanhadas em batidas contra bordéis ou em operações de resgate de vítimas de tráfico é uma delegacia de polícia. As leis sobre prostituição generalizam a partir do pior cenário, o que leva diretamente ao abuso policial contra a maioria dos casos, que não são tão sérios.

Na teoria, sob o proibicionismo as prostitutas são presas, multadas, encarceradas. Sob o abolicionismo, que permite a venda de sexo, uma miscelânea de leis, portarias e regulamentações dá à polícia uma miríade de pretextos para atormentar as trabalhadoras do sexo. O regulamentismo, que pretende mitigar o conflito social por meio da legalização de algumas formas de trabalho com sexo, trata formas não regulamentadas como ilegais (e raramente concede direitos trabalhistas às trabalhadoras). E, em anos recentes, surgiu uma lei híbrida que torna ilegal pagar por sexo, enquanto a venda é permitida. Sim, é ilógico. Mas a contradição não é sem sentido; é porque o objetivo da lei é fazer a prostituição desaparecer pela desabilitação do mercado, por meio de uma ignorância absurda de como os negócios do sexo funcionam.

A discussão a respeito de leis sobre prostituição ocorre em contextos nacionais onde a retórica frequentemente remete a noções essencialistas de moralidade, como se neste mundo altamente viajado e de culturas híbridas ainda fosse possível falar em caráter nacional autêntico, ou como se os valores dos “pais fundadores” devessem definir um país para todo o sempre. Um interventor, na recente audiência do Supremo Tribunal do Canadá a respeito de leis sobre prostituição, argumentou que a descriminalização seria um desafio aos valores da “comunidade canadense”: “de que todas as mulheres requerem proteção de atividades sexuais imorais em geral, e da prostituição especificamente”, e “a forte desaprovação da própria prostituição, com a intenção de promover a igualdade dos gêneros”. O foco nacional bate com as campanhas antitráfico, que não apenas dizem seguir a lei internacional como patrocinam intervenções imperialistas por parte de ONGs ocidentais em outros países, notavelmente na Ásia. onde os EUA estão assumindo o papel familiar de intrometer-se no resto do mundo.

Igualdade dos gêneros, feminismo estatal e intolerância

A igualdade dos gêneros agora é rotineiramente aceita como um princípio digno, mas o termo é tão amplo e abstrato que muitas ideias variáveis, contraditórias e mesmo autoritárias se escondem por trás dela. A igualdade dos gêneros como objetivo social deriva de uma tradição feminista burguesa de valores sobre pelo que lutar e como comportar-se, particularmente no que se refere ao sexo e à família. Nessa tradição, casais amorosos e comprometidos, vivendo com seus filhos em famílias nucleares são os cidadãos ideais da sociedade, que também devem endividar-se para comprar casas e obter educação universitária, assumir “carreiras” para toda a vida e submeter-se a governos eleitos. Embora muitos desses valores coincidam com medidas governamentais de longo prazo para controlar a sexualidade e a reprodução das mulheres, questioná-los é visto com hostilidade. A premissa é a de que os status quos governamentais nacionais seriam aceitáveis, bastando que dentro deles as mulheres tivessem direitos iguais.

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A igualdade dos gêneros começou a ser medida pela ONU em 1995, com base em indicadores em três áreas: saúde reprodutiva, empoderamento e mercado de trabalho. São intermináveis as discussões sobre todos os conceitos envolvidos; muitos os veem como favorecendo um conceito ocidental de “desenvolvimento humano” que é vinculado à renda. (como definir igualdade também é uma questão controvertida.) Até um par de anos atrás, o índice se baseava em mortalidade maternal e na taxa de fertilidade das adolescentes (para saúde), parcela de cadeiras parlamentares nas mãos de cada sexo, mais educação secundária/superior (para empoderamento) e a participação das mulheres na força de trabalho (para mercado de trabalho). Nesses indicadores, que focalizam uma gama estreita de experiências de vida, os países do norte da Europa têm as maiores notas, o que leva o mundo a olhar para lá na busca de ideias progressistas sobre igualdade dos gêneros.

Esses países manifestam algum grau de Feminismo Estatal: a existência de cargos governamentais com a missão de promover a igualdade de gêneros. Eu não sei se isso é inevitável, mas é certamente universal o fato de que as políticas promovidas por esses cargos acabem sendo intolerante em relação a diversos feminismos. O Feminismo Estatal simplifica questões complexas por meio de pronunciamentos representados como a maneira correta e feminista de entender qualquer assunto que esteja à mão. Embora aqueles nomeados para tais cargos devam demonstrar que têm experiência e educação, eles também precisam ser reconhecidos pelas redes sociais influentes. Não surpreende que muitas pessoas nomeadas para esses cargos venham de gerações para quem o feminismo significava a crença de que todas as mulheres, em todas as partes, compartilham uma identidade e uma visão de mundo essenciais. Algumas vezes, isso se manifesta como um feminismo extremista, fundamentalista ou autoritário. A Suécia é um exemplo.

A Suécia e a prostituição

A população de apenas 9,5 milhões está espalhada numa área grande, e até mesmo a maior cidade é pequena. Na história da Suécia, a desigualdade social (diferenças de classe) foi desde cedo um alvo para obliteração; atualmente, a maioria das pessoas se parece como e age como classe média. A corrente principal da sociedade é bastante ampla, enquanto as margens sociais são estreitas, estando a maioria empregada e/ou apoiada por vários programas governamentais. Embora a utopia sueca do Folkhemmet – O Lar do Povo – nunca tenha sido alcançada, ela sobrevive como um símbolo poderoso e sonho de consenso e de paz. A maioria das pessoas acredita que o Estado sueco é neutro, se não benevolente, mesmo quando elas reconhecem suas imperfeições.

Depois da eliminação da maioria das distinções de classe, a desigualdade de gêneros tornou-se alvo (diferenças étnicas/raciais eram uma questão menor, até o crescimento recente das migrações). A prostituição tornou-se um tema de pesquisas e de publicações do governo a partir dos anos 1970. Na altura dos anos 90, erradicar a prostituição passou a ser visto como uma condição necessária para alcançar a igualdade entre homens e mulheres, e factível numa sociedade pequena e homogênea. A solução encontrada seria a de criminalizar a compra de sexo, conceptualizada como um crime masculino, e ao mesmo tempo permitir a venda de sexo (porque as mulheres, como vítimas, não podem ser penalizadas). O veículo principal não consistiria em detenções e encarceramentos, mas numa mensagem simples: na Suécia nós não queremos prostituição. Se você está envolvido em compra ou venda de sexo, abandone esse comportamento prejudicial e junte-se a nós numa sociedade equitativa.

Como a ideia de que a prostituição é prejudicial entranhou na vida política durante décadas, a recusa a aceitar esse convite pode parecer equivocada e perversa. Acabar com a prostituição não é algo visto como um decreto de ditadores feministas, mas sim, como a meta de acabar com o estupro, como uma necessidade óbvia. Para muitos, a prostituição também parece incompreensivelmente desnecessária, num Estado em que a pobreza é tão pouco conhecida.

Essas são atitudes do dia-a-dia que os assistentes sociais que tiveram contado com Eva-Maree provavelmente compartilhavam. Não sabemos os detalhes da batalha por custódia na qual ela havia ficado presa durante vários anos com seu ex-companheiro. Não sabemos também o quão competente ela era como mãe. Ela contou que os assistentes sociais lhe disseram que ela não entendia que estava prejudicando a si mesma ao vender sexo. Não há orientações escritas decretando que prostitutas não podem ter a custódia de suas crianças, mas todos os pais passam por avaliações, e o estigma de puta não podia deixar de afetar os julgamentos. Para os assistentes sociais, a identidade de Eva-Maree estava estragada; ela foi desacreditada como mãe por critérios psico-sociais. Ela havia persistido em tentar ganhar direitos de mãe e entrou em choque com as autoridades, mas seu ex-parceiro ficou enraivecido com a possibilidade de que uma garota de programa conquistasse quaisquer direitos e fez tudo o que pôde para impedi-la de ver as crianças. O prolongado processo de custódia desmoronou no dia em que ela morreu, desde que os procedimentos-padrão não permitem que pais em meio a disputas se encontrem durante visitas supervisionadas às crianças.

Em um relatório de 2010 avaliando a lei que criminaliza a compra de sexo, o estigma é mencionado com referência ao retorno que eles receberam de algumas trabalhadoras do sexo:

As pessoas que são exploradas na prostituição relatam que a criminalização reforçou o estigma associado a vender sexo. Elas explicam que escolheram prostituir-se e sentem que não estão sendo expostas involuntariamente a nada. Embora vender sexo não seja ilegal, elas se sentem caçadas pela polícia. Elas se percebem como desempoderizadas, pelo fato de que suas ações são toleradas, mas sua vontade e sua escolha não são respeitadas.

O relatório conclui que esses efeitos negativos “devem ser vistos como positivos, da perspectiva de que o propósito da lei é mesmo combater a prostituição”. Para aqueles que ficaram assombrados com a morte de Eva-Maree, essas palavras soam cruéis, mas elas foram escritas para um documento que tentava avaliar os efeitos da lei. Os avaliadores haviam sido incapazes de produzir evidências confiáveis sobre qualquer tipo de efeito; um crescimento do estigma era pelo menos uma consequência.

O estigma conseguiu desencorajar algumas mulheres que podem ter querido vender sexo de fazê-lo, ou alguns homens de comprá-lo? Talvez, mas esse é um resultado que nenhuma avaliação seria capaz de demonstrar. O relatório, em suas 295 páginas no original em sueco, é, em vez disso, composto de fundamentação histórica, descrições repetitivas do projeto e detalhes administrativos. Declarações feitas mais tarde, de que o tráfico de pessoas diminuiu sob essa legislação, também são impossíveis de comprovar, porque não há estatísticas anteriores à lei para fazer comparações.

A lição não é a de que a lei da Suécia levou ao assassinato, ou de que qualquer outra lei o teria prevenido. O estigma da puta existe em todos os lugares, sob todas as leis sobre prostituição. Mas pode-se dizer que a legislação da Suécia deu ao estigma uma nova racionalidade para assistentes sociais e para juízes, e o selo de aprovação do governo para um preconceito antigo. A fúria do ex-parceiro por ela se tornar garota de programa pode derivar, em parte, da origem ugandense dele, mas a Suécia não o encorajou a ver Eva-Maree com mais respeito.

Alguns dizem que o assassinato dela é simplesmente mais um ato claro de violência machista e de pretensão a direitos por parte de um homem que queria vê-la desqualificada de ver suas crianças. De acordo com essa visão, a lei é considerada progressistas, porque combate a hegemonia masculina e promove a igualdade de gêneros. Isso é o que mais enfurece os defensores dos direitos das trabalhadoras sexuais: que o “modelo sueco” seja mantido como solução virtuosa para todos os velhos problemas da prostituição, na ausência de qualquer prova disso. Mas, para aqueles que abraçam a ideologia antiprostituição, a presença ou a ausência de prova é desimportante.

Quando a mídia é rei

A maneira como a mídia trata esses incidentes reproduz o estigma com variações, de acordo com as condições locais. A grande imprensa sueca não mencionou que Eva-Maree era garota de programa, porque fazer isso daria a aparência de culpá-la e de denegrir seu nome. No caso de uma série de assassinados em Ipswich, na Inglaterra, as intermináveis referências da mídia a prostitutas levou os pais das vítimas a pedir que eles usassem a expressão trabalhadoras sexuais. Um número de mulheres mortas em Long Island, Nova York, foi discutido como “quase intercambiável – almas perdidas que se foram, num certo sentido, muito antes de elas realmente desaparecerem” (Robert Kolker, no New York Times, em 29 de junho de 2013). Uma mulher assassinada recentemente perto de Melbourne, Austrália, foi chamada de “a prostituta de St. Kilda”, ao invés de “trabalhadora sexual” ou mesmo, simplesmente, de “mulher”, num lugar onde o conceito de trabalhadora sexual está, na verdade, em sua via acidentada de normalização. Estou falando aqui na grande mídia, cujos artigos são reproduzidos repetidamente na internet, fixando os clichês.

Editores que agregam fotos a matérias sobre a indústria do sexo usam arquétipos: mulheres se inclinando para janelas de carros, sentadas em banquetas de bares, de pé em meio ao tráfego – pernas, meias longas e saltos altos em destaque. Editores fazem isso não porque sejam preguiçosos demais para encontrar outras imagens, mas para mostrar, antes que você leia uma única palavra, sobre o que a matéria está realmente falando: mulheres cujo uniforme é o sinal externo de uma mácula interna. De modo similar, quando redatores e editores usam a linguagem clichê de “um mundo secreto”, do “submundo escuro”, das “infâncias roubadas”, das “ruas apimentadas” e do “fruto proibido”, eles não estão simplesmente sendo sensacionalistas, mas apontando para o estigma – Eis aqui sobre o que esta notícia fala: o mundo revoltante e perigoso, mas também eterno e emocionante, das putas.

Cortando o Nó Górdio

Não muito tempo atrás, fui convidada a falar na Feira de Livros Anarquistas de Dublin sobre o tema do trabalho com sexo enquanto trabalho. O anúncio no Facebook provocou perorações violentas: receber-me era antifeminista, contra o socialismo e uma traição ao anarquismo. Escrevi “Falando Sobre Trabalho Com Sexo Sem Ismos” para explicar por que eu não discutiria argumentos feministas na curta palestra de Dublin. Não estou pessoalmente interessada em utopias e, depois de 20 anos nesse campo, quero apenas discutir como melhorar as coisas na prática, aqui e agora. Nenhuma lei sobre prostituição pode dar conta da proliferação de negócios na indústria do sexo de hoje, dos muitos graus de volição e de satisfação entre as trabalhadoras. Relações sexuais não podem ser “consertadas” por meio de políticas de igualdade de gêneros. Se eu fosse Alexandre diante do nó, eu o cortaria assim: a partir deste momento, todas as conversas começarão da premissa de que nós não vamos todos concordar. Vamos olhar para uma variedade de soluções que se adequem à variedade de crenças, e não vamos competir sobre qual posição ideológica é a melhor. Mais importante, vamos assumir que o que todas as mulheres dizem é o que elas querem dizer.

A dra. Laura Agustín é autora de “Sexo nas Margens: Migração, Mercados de Trabalho e a Indústria do Resgate”. Seu blog está em http://www.lauraagustin.com/ (que tem partes em espanhol e em sueco).

 

Estado Islâmico leiloa meninas cristãs como “escravas sexuais”

FONTE: GOSPEL PRIME

http://noticias.gospelprime.com.br/estado-islamico-cristas-escravas-sexuais/

 

Estado Islâmico leiloa meninas cristãs como “escravas sexuais”

Vídeo divulgado por jornal inglês revela como funciona “mercado”

por Jarbas Aragão

Rotineiramente, as notícias relacionadas à organização extremista muçulmana Estado Islâmico (EI) geram horror no mundo ocidental. O principal motivo para isso é que seus membros tentam impor a lei sharia para todos os que vivem dentro de seus domínios.

Invasão de cidades, massacre de moradores, crucificação e decapitação de cristãos já foram manchetes em diversos órgãos de imprensa e até o momento nenhum posicionamento oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

Pelo contrário, quando os Estados Unidos e uma coalização de outros países começaram a bombardear as posições do EI no Iraque, foram criticados na plenária da ONU pela presidente Dilma Rousseff. Em seu discurso, ela disse que deveria ser procurado “o diálogo, o acordo” e condenou os ataques.

Hoje, o influente jornal inglês Daily Mail publicou uma reportagem que mostra mais de perto um aspecto amplamente ignorado fora do mundo islâmico: o mercado de escravas sexuais.

Previsto pelo Alcorão na Sura 4:24, a prática é explicitada em tempos de guerra – como a que os soldados do EI acreditam estar lutando. Eles não podem, contudo, usar muçulmanas para isso, portanto atualmente o leilão entre eles é com prisioneiras cristãs e yazidies, uma minoria religiosa do Curdistão.

Um vídeo encontrado no celular de um miliciano mostra um pouco como funciona a venda de mulheres capturadas pelos fundamentalistas. Outros relatos, como os da organização não governamental Humans Rights Watch, mostram testemunhos de mulheres que serviram como escravas contando que crianças também são compradas e vendidas.

Uma das edições da revista online Dabiq, publicada em inglês pelo EI justifica o uso de mulheres “infiéis” como escravas sexuais. O artigo intitulado de “A recuperação da escravidão antes da hora” afirma que o EI restabeleceu a escravidão em seu califado. Nos leilões, o preço varia. Quanto mais nova, maior o valor pedido.

Segundo o Daily Mail, existe uma espécie de tabela. Os valores são aproximados, considerando o câmbio desta semana.

Tabela---Preço-Escravas-do-EI

Um documento apresentado pelo site IraqiNews mostra que o valor de venda das mulheres e dos despojos de guerra vem tendo uma diminuição significativa. Mas o EI impôs um controle dos preços, ameaçando executar quem viola as diretrizes.

O vídeo que está sendo mostrado na mídia global foi filmado em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, de acordo com a Al Aan TV – que traduziu as falas para o inglês.

“Hoje é dia de mercado de escravas sexuais”, afirma diante da câmara um homem barbudo não identificado, cercado por vários outros combatentes. “Hoje é dia da entrega”, acrescenta. “Com a permissão de Alá, cada um de nós terá a sua parte”, garante.

Em pouco mais de dois minutos, eles riem e fazem piadas sobre as mulheres. Embora nenhuma delas seja mostrada, há menções que muitas têm apenas 15 anos de idade. Quando falam sobre o preço, um deles compara com o valor de uma pistola Glock usada. Outro diz que o negócio só será fechado depois que ele olhar os dentes da prisioneira.

Explica-se ainda que mulheres bonitas e de olhos azuis ou verdes custam mais caro. Um dos combatentes explica que “está escrito”, numa referência ao Alcorão. Outro esclarece que está procurando uma “menina”. Há inclusive um adolescente no vídeo, que parece familiarizado com o processo. No final, eles parecem olhar fotos em um celular, mas sem esclarecer onde elas estão. Ao demonstrar interesse por uma delas, ouve que aquela já morreu. Ele apenas ri.

Segundo dados de especialistas da Universidade de Oklahoma, o número de mulheres capturadas por milicianos do Estado Islâmico pode atingir 7000.

Em pouco menos de um mês, este é o segundo vídeo mostrando como o EI trata as crianças. O primeiro revela como os extremistas muçulmanos “estabeleceram campos de treinamento para recrutar crianças para a luta armada sob o pretexto de educação religiosa”.

Se você é a favor da guerra às drogas, leia

FONTE SPOTNIKS
Cotidiano

SE VOCÊ É A FAVOR DA GUERRA ÀS DROGAS PRECISA DAR UMA LIDA NESSA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

Um dos debates mais importantes de nosso tempo na arte dos quadrinhos.
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O debate sobre a criminalização das drogas é um dos mais importantes – e acalorados – de nosso tempo. Segundo dados divulgados pelo Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, no ano passado, cerca de 5% da população mundial entre 15 e 64 anos usa drogas ilícitas – o que corresponde a uma média de 243 milhões de pessoas. É um número e tanto, mas não é o único dado superlativo nessa história. Estima-se hoje que 40% dos 9 milhões de presos em todo o mundo estejam na cadeia em razão das drogas – e isso tudo tem um custo altíssimo. Segundo a London School of Economics, essa guerra já custou ao mundo mais de 1 trilhão de dólares e criou um imenso mercado negro, avaliado em aproximadamente US$300 bilhões – um mercado negro cada vez mais fortalecido por organizações criminosas que, ao contrário do que pode parecer, não estão nem um pouco interessadas nessa história de descriminalização. O impacto sobre o consumo dessa guerra? Insignificante. O impacto na minha e na sua vida? Incomensurável.

É absurdo imaginar que existam grupos fortemente armados por aí vandalizando, roubando e assassinando, cada vez mais poderosos graças a uma fatia de um mercado que movimenta uma montanha de dinheiro todos os anos? É duro pensar que essa turma está na porta das escolas, oferecendo substâncias da mais abjeta qualidade aos nossos filhos? Mas e se, ao contrário do que a gente imagina, essa história de guerra às drogas mais enriqueceu e empoderou esses criminosos, proibindo concorrência e transparência, entregando um monopólio de um mercado trilionário nas mãos de um punhado de pessoas dispostas a tudo para mantê-lo? E se essa história foi a responsável por criar drogas muito mais perversas do que a humanidade jamais ouviu falar – como o crack? E se defender uma guerra que até hoje não produziu qualquer resultado signifique defender menos policiais nas ruas combatendo crimes como assassinatos, assaltos, sequestros, estupros? E se essa turma toda movimentaum caminhão de dinheiro em corrupção, eleja candidatos, molhe a mão de autoridades importantes, tenha trânsito livre em Brasília? E se essa história de “não devemos dar concorrência para as Farc porque ela terá o monopólio do mercado de drogas na América Latina” seja estorinha pra boi dormir e não faça o menor sentido do ponto de vista econômico? De que lado você quer ficar?

Falar sobre o impacto das drogas no mundo é falar sobre economia do crime. E mais do que julgar pela emoção é preciso analisar fatos, estatísticas e informações históricas relevantes – inclusive dosresultados práticos de países que já tomaram medidas de legalização ou descriminalização. Falar que “quem defende esse papo defende traficante de drogas” é o mesmo que acusar quem defende o direito ao porte de armas de “defender os interesses de traficantes de armas”, ou ainda os movimentos pró-escolha de “defenderem os interesses das clínicas clandestinas de aborto” – você pode ser contra a legalização das drogas, o direito ao porte de armas e o aborto, mas certamente deve encontrar outros motivos para isso: em todos esses casos o que se busca é justamente tirar da ilegalidade e das mãos do crime mercados que movimentam bilhões todos os anos e deixam sequelas gravíssimas em toda sociedade. Acreditar que centenas de milhões de pessoas deixarão de consumir drogas ilícitas da noite para o dia – apenas porque “eu acho que isso é certo” – também não parece uma postura sensata para encarar esse problema.

Quer saber um pouquinho mais a respeito dessa história? Você está no lugar certo. A arte é do australiano Stuart McMillen.

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Rodrigo da Silva

Rodrigo da Silva

Editor do Spotniks.

33% das européias e cerca de 22% das espanholas sofreram violência machista

FONTE: EL HUFFINGTON POST UNIÓN EUROPEA

http://www.huffingtonpost.es/2014/03/05/violencia-machista_n_4901395.html?utm_hp_ref=spain

Un 33% de las europeas y un 22% de las españolas han sufrido violencia machista, según la UE

EL HUFFINGTON POST / AGENCIAS  |  Publicado: 05/03/2014 08:04 CET  |  Actualizado: 05/03/2014 10:41 CET

violencia machista
Más de 9 millones de mujeres europeas víctimas de violación. Un 33% de las mujeres han sufrido violencia física o sexual, porcentaje que se reduce hasta el 22% si se toman solo las españolas.

Sólo una de cada tres víctimas denuncia las agresiones. Esas son algunas de las cifras del mapa de la violencia de género que dibuja un estudio de la UE, publicado este martes por la Agencia de Derechos Fundamentales de la UE (FRA). 

Estos fríos datos son la expresión estadística de un problema que el propio estudio denuncia como “un vasto abuso de los derechos humanos que la Unión Europea no puede permitirse ignorar”.

Para sacar a la luz la gravedad de la situación, la agencia ha realizado una encuesta entre 42.000 mujeres de los 28 países de la Unión Europea (UE).

Los números son impactantes: un tercio de las europeas entre 18 y 74 años (unas 62 millones) ha sufrido algún tipo de abuso físico, una de cada diez ha sido agredida sexualmente y una de cada veinte ha sido violada alguna vez en su vida.

violencia

APENAS UN 14% DE LAS VÍCTIMAS DENUNCIA

Pese a lo terrible de estos porcentajes, la FRA señala que apenas el 14% de las víctimas de violencia de género denuncia a la Policía la agresión más grave sufrida.

“Muchas mujeres no denuncian sus experiencias de abuso a las autoridades, así que la mayoría de la violencia contra las mujeres sigue oculta y, por tanto, los delincuentes no son confrontados”, advierte el director de la FRA, Mortem Kjaerum, con sede en Viena.

El estudio de la FRA revela que en los 12 meses previos a la realización de la encuesta, entre abril y septiembre de 2012, 13 millones de mujeres de la UE de entre 18 y 74 años de edad fueron víctimas de violencia física, desde empujes o puñetazos a quemaduras y estrangulamientos.

FUERA DE LA PAREJA

En un 67% de los casos en los que la agresión tuvo lugar fuera de la pareja, el atacante fue un varón, un porcentaje que se dispara al 97% cuando el abuso es sexual.

Aunque la violencia y los abusos, ya sean físicos o psicológicos, en pareja o en el trabajo, son un problema en toda la UE, el informe señala grandes diferencias entre unos países y otros.

El porcentaje de mujeres que aseguran haber sido víctimas desde la edad de 15 años de violencia física o sexual por una pareja actual o pasada es del 52% en Dinamarca, del 47% en Finlandia y del 46% en Suecia.

Holanda (45%), Francia (44%) y Reino Unido (44%) son otros de los países donde más mujeres reconocieron haber sido víctima de violencia.

Polonia (19), Austria (20), Croacia (21), Chipre (22) y España (22) son, por contra, los socios UE con menor incidencia.

UN ASUNTO TABÚ

Con todo, la FRA recuerda que esas diferencias puede deberse a factores como el tabú que para muchas mujeres supone admitir que han sido agredidas o la consideración de que la violencia de género es un asunto familiar que no debe airearse.

La FRA no sólo pone el foco en la violencia doméstica, sino que insiste en que el fenómeno se da “todos los días en todas partes”.

Así, un 45% de las europeas afirma haber sido objeto de las formas más duras de acoso sexual, como abrazos y toqueteos, bromas ofensivas o recepción de material pornográfico.

Más de un tercio de las víctimas aseguraron haber sufrido esas agresiones en el ambiente laboral, bien por parte de jefes, compañeros o clientes.

ESCALA SOCIAL, EMBARAZADAS

Cuanto mayor es la responsabilidad profesional y el grado de formación académica, mayor es también el riesgo de ser objeto de ese tipo de ofensas sexuales, asegura la FRA.

En este panorama de violencia, nadie queda a salvo, ni siquiera las embarazadas. Un 42% de mujeres agredidas por una pareja anterior siguieron siendo maltratadas durante el período que esperaba un bebe.

Un 12% de las encuestadas aseguró haber sido víctimas de algún tipo de abuso sexual cuando aún eran menores de 15 años, un porcentaje que sube al 35 cuando se añaden otras formas de maltrato físico y sicológico.

El informe analiza también el impacto que este escenario de violencia tiene en las vidas de las mujeres, no sólo por las agresiones, sino por el miedo a sufrirlas, lo que lleva a muchas europeas a evitar determinadas situaciones o lugares.

016, teléfono confidencial para maltratadas que no deja huella de marcación

violencia machista

O triunfo da paranóia

O triunfo da paranoia

FONTE CARTA CAPITAL

http://www.cartacapital.com.br/revista/787/o-triunfo-da-paranoia-8795.html

Economia

Análise / Delfim Netto

O triunfo da paranoia

A atual onda pessimista decorre da leitura parcial de relatórios que incluem todos os emergentes no mesmo saco de gatos
por Delfim Netto — publicado 19/02/2014 04:52
Em seu primeiro comparecimento perante os integrantes da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes no Congresso dos Estados Unidos, após assumir a presidência do Banco Central americano, a economista Janet Yellen disse que vai manter a política gradual de compras mensais de títulos, na forma definida pelo Comitê de Política Monetária (Fomc) do Federal Reserve, mesmo diante da “surpresa” representada pela redução no ritmo de criação de empregos em dezembro e janeiro últimos. Yellen deixou claro que somente perspectivas sérias de mudança na taxa de inflação e comprovadamente do nível de desemprego nos EUA poderiam mudar a estratégia do banco.

Na sua fala aos congressistas e para tristeza dos agentes financeiros que esperavam algum sopro que estimulasse a especulação nos mercados emergentes, Yellen deu pouca (ou nenhuma) importância ao assunto. Disse simplesmente que “a recente turbulência em emergentes não implica riscos para a economia dos Estados Unidos”. Quando instada a comentar o relatório do Fed que menciona “vulnerabilidades financeiras significativas” nesses mercados, inclusive no Brasil, em decorrência de mudanças na política monetária americana, respondeu secamente que a sua política é desenhada para atingir os objetivos determinados pelo Congresso dos Estados Unidos. Nada de novo.

O pessimismo que decorre da leitura parcial de relatórios dessa natureza, divulgados fora de época e em contextos ultrapassados, expõe o Brasil como uma das economias vulneráveis. Hoje, entretanto, o próprio mercado já distingue nossa atual situação de outros emergentes, como Turquia, Indonésia, Índia e África do Sul, que vivem circunstâncias totalmente diferentes.

Criou-se um clima de paranoia quase inacreditável tentando convencer o mundo de que o Brasil está próximo de um desastre, apesar da falsidade evidente das comparações. Temos dificuldades, como quase todos os países do mundo, há circunstâncias desagradáveis, perspectivas ameaçadoras desde que o sistema financeiro mundial entrou em erupção por conta do excesso de patifarias cometidas nos mercados financeiros, cujo epicentro foi Wall Street. As dificuldades persistem desde 2008 e 2009, nas políticas fiscal e monetária dos países grandes, médios e pequenos, praticamente sem exceção. Apenas na política cambial o mercado fez a correção.

Não existem no Brasil desequilíbrios profundos a curto e a longo prazo.  Estamos muito longe de apresentar o padrão de vulnerabilidade externa que tomou conta de algumas economias emergentes com suas dificuldades próprias de relacionamento nos mercados financeiros do resto do mundo. Creio que se justifica, neste contexto, a ida do ministro Guido Mantega à Austrália para se encontrar com seus colegas do G-20 em Sydney, na reunião das mais importantes economias do globo.

O Brasil desde há muito tempo superou aquelas dificuldades apontadas pelo mercado em relação a outros emergentes, listados no grupo dos mais vulneráveis. Não será difícil ao ministro Mantega mostrar os fatos que fazem a diferença, dando continuidade ao esforço que a presidenta Dilma fez há duas semanas na reunião dos dirigentes das finanças mundiais na cidade suíça de Davos. Sabemos que somos parte do mundo, que temos de pagar o preço de estar no mundo. E que poderíamos ter feito muito melhor em diversas ocasiões. Não temos de fazer, contudo, nenhuma penitência em razão das medidas de defesa tomadas para enfrentar as turbulências (com sucesso, diga-se) produzidas pelas sucessivas crises dos mercados financeiros.

Mesmo diante das pressões provocadas pelo clima de desconfiança que se procura estimular em relação ao Brasil, nós temos tempo suficiente para mostrar sermos capazes de administrar com prudência uma política fiscal crível como prometeu a presidenta. A ida agora de Mantega a Sydney dará continuidade a esse esforço de convencer a comunidade financeira e os governantes mundiais de que o Brasil está no caminho certo, determinado a fazer o ajuste fiscal necessário, mesmo que muitos descreiam dessa possibilidade num ano de eleições gerais.

A melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal

21/03/2014

A melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal

O documentário abaixo deveria ser assistido e discutido por todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação no Brasil.

A Finlândia tem a melhor educação do mundo. Lá todas as crianças tem direito ao mesmo ensino, seja o filho do empresário ou o filho do garçom. Todas as escolas são públicas-estatais, eficientes, profissionalizadas. Todos os professores são servidores públicos, ganham bem e são estimulados e reconhecidos. Nas escolas há serviços de saúde e alimentação, tudo gratuito.

Na Finlândia a internet é um direito de todos.

A Finlândia se destaca em tecnologia mais do que os Estados Unidos da América.

Sim, na Finlândia se paga bastante impostos: 50% do PIB.

O país dá um banho nos Estados Unidos da América em matéria de educação e de não corrupção.

Na Finlândia se incentiva a colaboração, e não a competição.

Mas os neoliberais-gerenciais, privatistas, continuam a citar os EUA como modelo.

Difícil o Brasil chegar perto do modelo finlandês? Quase impossível. Mas qual modelo devemos perseguir? Com certeza não pode ser o da privatização.

Veja o seguinte documentário, imperdível, elaborado por estadunidenses. Em inglês, com legendas em espanhol.

Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado

Acaba de sair um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora britânica que publica a revista Economist, a Pearson.

É um comparativo no qual foram incluídos países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.

Você pode adivinhar em que lugar o Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de futebol. Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.

Surpresa? Dificilmente.

Assim como não existe surpresa no vencedor. De onde vem? Da Escandinávia, naturalmente – uma região quase utópica que vai se tornando um modelo para o mundo moderno.

Foi a Finlândia a vencedora. A Finlândia costuma ficar em primeiro ou segundo lugar nas competições internacionais de estudantes, nas quais as disciplinas testadas são compreensão e redação, matemática e ciências.

A mídia internacional tem coberto o assim chamado “fenômeno finlandês” com encanto e empenho. Educadores de todas as partes têm ido para lá para aprender o segredo.

Se alguém leu alguma reportagem na imprensa brasileira, ou soube de alguma autoridade da educação que tenha ido à Finlândia, favor notificar. Nada vi, e também aí não tenho o direito de me surpreender.

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Finlândia: a melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal (Imagem: Reprodução / Documentário)

Algumas coisas básicas no sistema finlandês:

1) Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.

2) Todas as escolas são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e também comida.

3) Os professores são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.

4) As crianças têm um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.

5) Nos primeiros anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.

6) Os alunos são instados a falar mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados Unidos, uma pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)

Isto é uma amostra, apenas.

Claro que, para fazer isso, são necessários recursos. A carga tributária na Finlândia é de cerca de 50% do PIB. (No México, é 20%. No Brasil, 35%.)

Já escrevi várias vezes: os escandinavos formaram um consenso segundo o qual pagar impostos é o preço – módico – para ter uma sociedade harmoniosa.

Não é à toa que, também nas listas internacionais de satisfação, os escandinavos apareçam sistematicamente como as pessoas mais felizes do mundo.

Para ver de perto o jeito finlandês de educar crianças, basta ver um fascinante documentário de 2011 feito por americanos (vídeo publicado acima).

Comecei a ver, e não consegui parar, como se estivesse assistindo a um suspense.

Todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação, no Brasil, deveriam ver e discutir o documentário.

com BlogdoTarso ; edição: Pragmatismo Politico